Category: Uncategorized

A aventura em clima cerimonial da transposição de Peter Jackson para O Senhor dos Anéis hoje me faz coçar a cabeça desconfiado. E acho até curioso que não apareceu nenhuma sátira contundente ao excesso de heroísmo e gestos grandiosos dos personagens, porque Jackson levantou respeitosamente a bola, e ninguém cortou como podia (que saudades da turma do Monty Python!).

O Hobbit

Pois agora temos novas chances com “O Hobbit” e elas são maiores.
Se havia um mérito na saga cinematográfica anterior é que se sentia o empenho, a paixão do ou tudo-ou-nada para garantir que finalmente a obra de Tolkien chegasse ao cinema. Aqui, nada disso: fica-nos a dúvida sobre se as considerações artísticas de fazer justiça ao Hobbit chegaram primeiro ou foram as considerações comerciais de assinar outro blockbuster de prestígio (coisa que, há dez anos, estava longe de ser garantida).
A produção é caprichada e bem polida, mas já sabemos onde vamos e procuramos o sentido de diversão, numa narrativa que custa a desenrolar. Estão lá o velho Gandalf (um Ian Mckellen simpático até quando interpreta no piloto automático), o bondoso Bilbo Bolseiro (Martin Freeman se esforçando para garantir o carisma), e treze anões feios sujos e desajeitados, que podiam ser muito engraçados, mas são pouco.
É verdade que o legado de Tolkien permitiria outra dimensão de espetáculo e diversão. E não menos verdade que, em breves momentos (em especial em torno do bizarro Gollum, o “boneco digital” fabricado a partir da composição de Andy Serkis), compreendemos que há, aqui, muitas potencialidades que ficam por explorar. Mas Jackson não consegue ir além. Percorre o caminho sem um rasgo, sem uma surpresa, sem qualquer efeito que marque a diferença.

Se o Django original de Sergio Corbucci parecia um anjo vingador com uma metralhadora giratória em punho e os olhos faiscantes de Franco Nero, o Django de Tarantino não tem nada de anjo, é um ex-escravo truculento (Jamie Fox) com um colt ponto 45 na mão e uma pontaria assombrosa. Adora atirar no baixo ventre dos branquelos. Veste roupas berrantes, óculos escuros e salta pro cavalo como se fosse ver um show do James Brown. Tarantino pouco se lixa para verossimilhanças e menos ainda para manter a tradição do gênero western.

amarras em Django

Seu Velho Oeste é muito particular. Não tem índios em cena. Esses já foram dizimados na época em que acontece a história de Django Livre (1859, dois anos antes da Guerra Civil). Também não tem aquele clima mitológico, mesmo porque ninguém mais tem saco pra aguentar a versão de que os Estados Unidos foram uma nação construída em clima de epopéia. Nem xerife do bem. Tarantino já começa seu filme ridicularizando o homem da estrela no peito. O racista entra no saloon para expulsar o negro que se atreve a beber cerveja onde só é permitido brancos, e morre antes de dizer sua terceira fala. O temível barão de gado (Don Johnson) também se atreve, e Django o espinafra. Nada, aliás, é temível no filme, nem a ku klux kan bota panca. Parecem um bando de patetas, imcompetentes até na hora de fazer os furos nos sacos que cobrem a cabeça. Tem uma cena digna de Monty Python, o bando mal consegue perseguir Django porque não enxerga nada.
Pradarias contemplativas então? Ah, isso ficava bem nos filmes do Sergio Leone, Tarantino se apressa nestas partes.
O Velho Oeste neste Django é feio, sujo e livre. E a ironia: quem conta a história é um alemão pouco confiável. Lembra de Christoph Waltz, o general nazista de Bastardos Inglórios? É uma primazia de Tarantino colocá-lo em cena. É como se Waltz tivesse saltado daquele filme para esse e simplesmente tirado a farda. O alemão captura nossa atenção e nos convida para participar de uma aventura, como se ele fosse Virgilio e nos tivesse conduzido pelos círculos do inferno de Dante.
Waltz exala a simpatia de um diabrete, falando de alta civilização e de lendas germânicas, mas sendo logo desmascarado pelo modo impiedosoa como mata e caça seus alvos. Quando Django vacila em matar um homem na frente do filho pequeno, o alemão lhe fala em negócios e clama para Django largar de frescura e matar logo o cara. Não há pistoleiros em cena, mas sim um desfile de sociopatas um mais imprevisível que o outro.
Tarantino joga na sua coqueteleira todos os elementos do faroeste tradicional, bate com gelo e serve em copos sem açucar. E também sem medo de botar refugos, sem medo de brincar, ou fazer pastiche.
Como o personagem de Jamie Fox, esse Django é realmente um filme livre de amarras. E também um dos mais divertidos do diretor. A habilidade de Tarantino funciona em perfeita sintonia com suas obsessões. Chega a mesclar trilha de western spaghetti, com hip hop e soul music para descobrir melodias que funcionem como contraponto para a ação que rola na tela. E cenas longas e estranhas que pulsam com um potencial de violência de perder o fôlego. A sequência final no lar do senhor de escravos vivido por Leonardo DiCaprio consegue ser ao mesmo tempo engraçada e chocante, pela forma brutal como os personagens derrapam no chão de sangue.
Dizer que o filme é uma ode a vingança contra o racismo, tá evidente na ação. Não é o que verdadeiramente dá prazer em ver nesse Django. Tarantino nunca explora o significado profundo do mundo que mostra, mas sim o de como pode ser amoral e anárquica a vida dentro dele. E então convida o espectador a abrir os olhos pra viajar dentro de suas sangrentas pradarias.

A obsessão com que Kathryn Bigelow detalha a missão de caça a Osama Bin Laden chega a irritar neste A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty). Sua heroína – Maya (Jessica Chastain), a agente da CIA que não descansa enquanto não chega ao “fim da linha” – parece um míssil teleguiado, deixa pelo caminho tudo aquilo que não seja essencial ao seu objetivo: acompanhar o percurso que levou os serviços secretos americanos ao complexo de Abbottabad onde Osama bin Laden se escondia.

Nas mãos de Bigelow


O filme gera a expectativa e ficamos na ponta da poltrona aprensivos e ao mesmo tempo maravilhados com a forma aguda como Bigelow investe no tema e endossa a autenticidade da sua recriação filmando inclusive em locais reais. A diretora, por sinal, se vale da moderna técnica do new journalism para esmiuçar os pormenores da investigação e da captura. Tudo é compilado, detalhado, e a atenção tem que ser redobrada para não perder um lance, afinal os personagens, muitos deles também inspirados em figuras reais, na maioria das vezes dizem uma coisa e fazem outra.
O filme se abre a subtextos , mas eles nunca são esfregados na cara. Maya é fria e agressiva nos seus propósitos, porque num mundo de militares, coração e alma a colocariam em desvantagem. A primeira parte do filme tem sequências duras de tortura e num momento ousado vemos Barack Obama fazendo uma declaração na TV dizendo ser inadmissível a tortura em seu governo. Detalhe: os torturadores americanos da CIA assistem o pronunciamento silenciosos.
Se existe algo que incomoda é a forma como Bigelow a certa altura puxa a sardinha pelos EUA. Quando os americanos começam a exagerar na tortura, ela dá sempre um jeito de encaixar uma cena de atentado para justificar a ação da CIA. Na contabilidade: são quatro cenas de tortura, pra seis de atentados.
O terreno em que Bigelow é bamba é o da ação e quando chega a hora, a moça mostra que não está pra brincadeira. É fascinante como ela se deleita com a logística militar, com a movimentação organizada dos soldados, a formação de ataque dos helicópteros. Depois como alterna planos e ângulos, levando-nos a experimentar a sensação crescente de tensão, tateando quartos escuros apenas com visão de infra-vermelho.
Tatear um perigo que não se vê, eis o grande terror que assombra a superpotência.
Baixada a poeira, corpos ensanguentados no chão. A conclusão já é conhecida e aqui é mostrada com uma secura, que logo na saída me frustrou como espectador. Só depois me dei conta de que a frustração é calculada, provoca angústia, o vazio e ecoa sem solução por todos os lados.

Pronto! Já que os primeiros 15 filmes sobre vampiros não foram o suficiente, mais 15! São para todos os gostos, dos clássicos ao trash — mas que valem pela experiência! Veja o post!

1. DRÁCULA: A HISTÓRIA NUNCA CONTADADracula Untold (2014)
O mais recente filme do Drácula tem efeitos especiais de videogame! Só vai sair no Brasil em outubro, mas já entra na lista de filmes de vampiros pra ver antes de morrer (ou ser transformado!) porque parece bom.

***
2. DRÁCULA 2000Dracula 2000 (2000)
Conheci Gerard Butler aqui! Bandidos, achando que vão ganhar uma grana ao acessarem um “tesouro lacrado”, despertam Drácula, que vai seduzindo e transformando o povo em vampiro enquanto busca por uma descendente de Van Helsing. Que saudade de ter medo desse filme nas madrugadas da Globo!

***
3. BLADEBlade (1998)
Uma das minhas franquias preferidas, só prestou até o segundo filme (no terceiro começaram a cagar). Blade é um vampiro que pode andar no Sol, meio humano, meio chupa-chupa. Em vez de debandar pro lado das trevas, ele resolve caçar os maiorais pra manter o equilíbrio na cidade. O estilo é foda, é inspirado no personagem da Marvel e a trilha sonora me conquista. Tenho os três e assisto sempre que dá.

***
4. STAKE LAND – ANOITECER VIOLENTOStake Land (2010)
O legal aqui é o cenário pós-apocalíptico depois de uma epidemia de vampiros, onde uma seita de humanos aterroriza mais que os monstros, trocando meninas por comida e coisas do tipo. Foca mais na sobrevivência de um garoto que foi resgatado por um matador de vampiros e as pessoas que eles encontram — e perdem — no caminho. Tem um forte apelo dramático.

***
5. QUANDO CHEGA A ESCURIDÃONear Dark (1987)
Um dos melhores da lista, começa com o acaso: um caubói chama uma forasteira pra sair. A garota é esquisita e, na hora de levá-la pra casa, ela corre quando o Sol começa a nascer — sem deixar de mordê-lo. O moleque pega fogo de dia e fica doente, aí que os “amigos” da garota, uma gangue de roqueiros, raptam o cara para que passe pela transformação. É maneiro por retratar com realidade um grupo de imortais. É ruim porque existe cura (muito óbvia, até).

***
6. VAMPIRE HUNTER D – BLOODLUSTKyūketsuki Hantā Dī (2000)
A única animação da lista é essa, de qualidade mastodôntica. D. é um exterminador de vampiros (e vampiro) que cobra caro pelos serviços. Quando contratado para recuperar a filha de um cara, que foi sequestrada por outro filho das trevas, cruza com exterminadores para chegar até o objetivo. Tem uma virada na trama muito maneira e é uma “continuação” do anime dos anos 80, Vampire Hunter D.

***
7. VAMPIROS DE JOHN CARPENTERJohn Carpenter’s Vampires (1998)
Tem a mesma vibe que Near Dark e narra aventuras de caçadores de vampiros que precisam lidar com uma garota recém-mordida enquanto enfrentam um monstro foderástico, que os persegue e destrói tudo.

***
8. VAMPIRASVamps (2012)
E se patricinhas virassem vampiras? Bem zoado, Vamps conta com Alicia Silverstone e Krysten Ritter como protagonistas de uma história morna. É pra rir mesmo, gente.

***
9. 30 DIAS DE NOITE30 Days of Night (2007)
Um dos melhores da lista, não poupa violência — afinal, imagine morar num local onde não há sol por 30 dias! Um grupo de vampiros ferozes planeja atacar essa vilazinha do Alasca e causar um banho de sangue. Se cansou de vampirinhos fofos, esse é pra você.

***
10. FOME DE VIVERThe Hunger (1983)
De vibe gótica, conta a história de uma vampira que possui vários amantes ao passar dos séculos. Só que cada amante, mesmo transformado, morre de velhice após muito tempo. Buscando uma cura, o personagem interpretado por David Bowie esbarra com a personagem de Susan Sarandon que, por sua vez, chega à vampira viúva. Trilha sonora ótima, sutileza monstra e estética fiel aos vampiros.

***
11. O VAMPIRO DA NOITEHorror of Dracula (1958)
Um dos maiores clássicos dos vampiros não poderia ficar de fora. Faz parte de uma série que fez sucesso depois desse primeiro filme, mas não precisa ver tudo pra apreciar com gosto. A história é a mesma de sempre, com destaque para a interpretação de Christopher Lee.

***
12. SOMBRAS DA NOITEDark Shadows (2012)
Não gostei quando saiu, mas vi de novo e apreciei a ótima ambientação e o sarcasmo do Tim Burton. Após partir o coração de uma bruxa (Eva Green ♥), um cara é amaldiçoado e vira vampiro. Depois de muito tempo ele é acordado e volta à “família”, que tá em decadência. Tentando levantar a moral do próprio nome, precisa enfrentar o mundo dos negócios e a bruxa que é tão imortal quanto ele.

***
13. O PEQUENO VAMPIROThe Little Vampire (2000)
Um menininho muito fofo se muda da Califórnia para a Escócia (eu acho), só que tem dificuldade em fazer amigos. Quando faz, é com um vampirinho. O filme é cuti-cuti, tem estilo legal e explora um lado meio AFamília Addams dos filhos da noite.

***
14. MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICASLesbian Vampire Killers (2009)
Traaaaaaaash! O título explica a sinopse e, pra você ter noção, não sai sangue das vampiras assassinadas. Sai esperma! É pra rir e sentir que perdeu uma hora e meia da vida depois de assistir — mas não teria como ignorar, teria?

***
15. A RAINHA DOS CONDENADOSQueen of The Damned (2002)
Baseado no livro de Anne Rice (a mesma de Entrevista com o Vampiro), não é grande merda. A única coisa que gosto aqui são as roupas, a androgenia do Vampiro Lestat e a atriz que faz a Rainha (que morreu de verdade num acidente de avião). Com efeitos mais ou menos, a ambientação pode agradar quem curte chupas-chupas.

Você pode pertencer ao pedaço da civilização que nunca se apaixonou por vampiros (não só os que brilham), mas é impossível negar o poder hipnótico desses imortais. Fiz listinha com filmes imperdíveis sobre essas criaturas, e essa é só a primeira parte!


***

1. ENTREVISTA COM O VAMPIROInterview With The Vampire (1994)
O filme conseguiu extrair boa parte dos encantos sobrenaturais do livro de Anne Rice e entorpecer no cinema. Brad Pitt, Tom Cruise e Kirsten Dunst protagonizam um clássico dos filmes do gênero e mexer com nossas cabeças: todo mundo gostaria de ser um vampiro, não importando o preço ou as consequências disso. Apaixonável demais.

***
2. DRÁCULA DE BRAM STOKERBram Stoker’s Dracula (1992)
Francis Ford Coppola, um dos maiores diretores do mundo, dirigiu a adaptação do livro-bíblia que fez nascer todo o fervor ao redor dessas criaturas sombrias que se alimentam de sangue e desejo. Gary Oldman (o Sirius Black!) interpreta o monstro e o elenco é composto por diamantes! Sério, você precisa ver!

***
3. ASSASSINO DAS SOMBRASThe Black Water Vampire (2014)
Um dos mais recentes, segue a onda found footage, aqueles filmes gravados com câmeras de mão (como em A Bruxa de Blair ou Atividade Paranormal). Um grupo de documentaristas vai investigar o caso de um homem que foi preso sem nenhuma prova concreta. As vítimas foram encontradas sem sangue e com uma marca bizarra na pele, além de uma mordida esquisita. Como é de se esperar, esse grupo começa a se foder, só que o final ainda guarda uma surpresa que, apesar de interessante, faz o filme perder um pouco da vibe. Mesmo assim, vale experimentar!

***
4. AMANTES ETERNOSOnly Lovers Left Alive (2013)
O que acontece quando o Loki e a Rainha Branca de Nárnia se juntam? Vira filme de vampiro! Os dois formam um casal milenar que precisa sobreviver às mudanças do tempo, se escondendo e vivendo o tédio da imortalidade — e do próprio relacionamento! É um dos melhores filmes que já vi retratando como seria a real rotina de pessoas que não podem morrer por meios naturais. Lindo e favoritado na primeira vez que assisti. A trilha sonora é monstra!

***
5. UM DRINK NO INFERNOFrom Dusk Till Dawn (1996)
Clássico produzido pelo mesmo diretor de Kill Bill, Quentin Tarantino, conta com ele mesmo atuando ao lado de George Clooney, dirigidos por Robert Rodriguez! É trash e diferente, porque a temática vampírica só aparece bem depois no enredo, que é permeado por acasos que encerram uma história criativa, divertida e bizarra! Recentemente virou série de TV, mas não assisti ainda.

***
6. OS GAROTOS PERDIDOSThe Lost Boys (1987)
Já falei do estilo deles aqui! Amo, amo, amo! É clássico do final dos anos 80, feito para adolescentes, só que muito mais legal do que tudo que é produzido para adolescentes hoje em dia. É must see imediato! Teve continuações, mas não prestam. Uma mãe e dois filhos se mudam para uma praia dos Estados Unidos após o divórcio. Tentando se adaptar ao novo ambiente, Michael, o mais velho, se enturma com uns motoqueiros que não envelhecem. Inspirou parte do meu primeiro livro, Os Hereges de Santa Cruz.

***
7. AS DONAS DA NOITEWir Sind Die Nacht (2010)
Outro filme maravilhoso mostrando a rotina de criaturas sobrenaturais e suas técnicas para matar o tédio! Apresenta um clã de vampiras (apenas vampiras) e como o amor de uma dessas para com uma humana destruída pelas drogas faz com que ela a transforme numa de suas discípulas. O problema é que essa nova discípula, alvo do amor da maior vampira do clã, se apaixona por um cara. Aí dá merda. A trilha sonora também é de matar e os enlaces são deliciosos!

***
8. DEIXE ELA ENTRARLåt den rätte komma in (2008)
Baseado no livro de John Ajvide Lindqvist, é uma obra de arte! Conta a história de um moleque oprimido que faz amizade com um vampirinho secular. A temática é dark, densa, mas tem nuances doces. Também é polêmico porque apesar de ter sido traduzido como Deixe Ela Entrar, Eli, o vampiro, era um menino castrado. Basicamente, os dois se conectam por questões muito além da carne: são crianças achando abrigo um no outro. Teve refilmagem americana, mas só recomendo esse.

***
9. A HORA DO ESPANTOFright Night (1985)
Oitentista, ganhou continuação e remake. Gostei do remake também, dentro do possível. É uma comédia divertida e nojentinha, com momentos legais e cara de Sessão da Tarde. A história do filme é: e se um vampiro se mudasse para a casa ao lado da sua e ninguém acreditasse nisso? Pois bem, não pode ficar fora da lista!

***
10. A SOMBRA DO VAMPIROShadow of The Vampire (2000)
Pra gravar uma adaptação de Drácula, um diretor chama o que parece ser um vampiro de verdade para atuar. O pagamento para esse tal vampiro é o pescoço da atriz, mas ninguém o leva a sério a ponto de achar que ele realmente vai querer algo assim como cachê. Quem é esse cara que vive numa caverna e come cabeças de morcego? No elenco tem John Malkovich e Willem Dafoe (que tá ótimo) e é baseado numa história real — será?

***
11. NOSFERATU – O VAMPIRO DA NOITENosferatu: Phantom der Nacht (1979)
Não é o primeiro filme Nosferatu do cinema, mas é um antiguinho e, de todos os filmes de vampiro, é o único que me meteu medo. Também é meu preferido, porque é uma obra-prima incalculável, com cenas longas, de poucos cortes ou efeitos especiais. Seria legal assisti-lo depois de ver A Sombra do Vampiro. Esse é preciosidade, especialmente se assistir em 1080p.

***
12. BYZANTIUMByzantium (2012)
Já falei desse ótimo filme aqui, dos mesmos criadores de Entrevista com o Vampiro. Uma mulher e sua filha caçam um lugar onde possam viver tranquilamento há mais de 200 anos. Nesses séculos, a gente acompanha a sensação de não pertencer a um mundo que não era bom antes e que pouco melhorou. Vemos duas criaturas, mulheres, buscarem paz. Obrigatório.

***
13. A SEDUÇÃO DO MALEmbrace of the Vampire (2013)
Não é o melhor filme do mundo, mas o lado sexual grita nesse. Fala de uma menina puritana (e chata) que é tentada por desejos esquisitos envolvendo trevas milenares numa faculdade. Aos poucos, além do fogo na pepeca pra provar o contato da carne humana, ela passa a ter desejo por sangue. Aí a história fica meio maluca, mas vale assistir.

***
14. ANJOS DA NOITEUnderworld (2003)
A franquia milionária trouxe o lado gótico dos vampiros num mergulho de alta tecnologia e ação. É legal para explorar a rivalidade entre vampiros e lobisomens, o amor proibido entre essas raças, e o nascimento de uma nova espécie desde o início dos tempos (se vir todos os filmes). Fica bonitinho na estante e diverte as noites de sábado!

***
15. KISS OF THE DAMNEDKiss of The Damned (2013)
Amei tanto esse filme! É recente e conta a atração desesperada entre uma vampira e um humano, que se permite transformar — sem enrolação — e passa a conviver nas altas castas sociais vampíricas. Até chegar a irmã da vampira, a maluca que mata, manipula e provoca sem pensar duas vezes. Tem fotografia espetacular, um enredo muito bom e figurinos magníficos.

O tema dessa semana no Discípulos de Peter Pan é “férias”, com postagens para te ajudar a sobreviver e se divertir durante as semanas em casa. Hoje quis indicar 10 filmes sobre fugir da sociedade, tirando férias do sistema que nos pressiona a viver de um jeito que não queremos. Mas será possível fugir? O que a gente perde? O que ganha? Assista alguns desses 10 filmes e planeje sua próxima aventura — ou aprenda que a real mudança a partir de fuga está na sua cabeça, pois mudando a você, o mundo ao redor se transforma também.

Os Reis do Verão (The Kings of Summer, 2013)

Os Reis do Verão (The Kings of Summer, 2013)
Quando dois amigos ficam de saco cheio dos pais e das regrinhas da sociedade, decidem mudar para a floresta e viverem absolutamente sozinhos. Outro menino acaba se juntando a eles, que sobrevivem de caça — ou tentam — e lidam com vários dilemas de que não estão tirando férias do mundo, mas fugindo dele. Tem cara de filme dos anos 80 mas é de 2013 e completamente apaixonante, lembrando nosso estilo discípulo de Peter Pan de ser com estética de escoteiro, figurinos legais e tratando do crescimento inevitável por qual passamos.

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986)

Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off, 1986)
Ferris Bueller vai ganhar o próprio rolezinho no próximo sábado — veja o “Rolezinho com Peter Pan” para conhecer a nova coluna do site —, afinal ele é um dos maiores ícones de férias do mundo! Ferris resolve tirar o dia de folga do colégio e inventa que está doente. Com a namorada, sequestra o melhor amigo — junto com a Ferrari do pai dele — e vão curtir o dia numa versão melhorada do “Dolce far niente” porque a vida só se vive uma vez. Clássico da juventude.

Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007)

Na Natureza Selvagem (Into The Wild, 2007)
Assim que McCandless se forma na faculdade, doa todo o dinheiro que tem — pois vem de uma família riquinha — e parte numa aventura esperta para se desligar de todo o materialismo em que foi ensinado a viver e se encontrar no caminho para o Alasca. A história é real e esse filme te tira um pouco da zona de conforto, pois te faz perceber o que realmente importa nessa existência única — como nos “10 momentos para se perguntar por que não?”. Muitas pessoas que assistem a esse filme afirmam que ele as mudou radicalmente por dentro.

Colegas (2012)

Colegas (2012)
Inspirados pelo filme Thelma & Louise, os três protagonistas de Colegas decidem fugir do instituto para pessoas com Síndrome de Down em que estão e correr atrás dos sonhos. Esse longa é brasileiro, doce, divertido e completamente inspirador, daqueles para assistir no fim da tarde com a família, pois não possui nenhum tipo de apelação imbecil.

Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, 2012)

Moonrise Kingdom (Moonrise Kingdom, 2012)
Quando o escoteiro Sam e a atriz Suzy se apaixonam sem querer, decidem fugir do lugar nenhum em que vivem e passam por todos os desenvolvimentos do amor romântico no meio da aventura! Também fala que se a gente quiser muito uma coisa, precisamos correr atrás dela, mesmo que tenhamos medo das eventuais surpresas. É filme para adultos protagonizado por crianças fantásticas. Falei mais dele no texto “Moonrise Kingdom (2012)”.

Quase Famosos (Almost Famous, 2000)

Quase Famosos (Almost Famous, 2000)
Quando um adolescente de 15 anos entra para o time da revista Rolling Stone dos anos 70, precisa acompanhar uma banda pela primeira turnê nos Estados Unidos, registrando tudo. Fugindo de casa e vivendo o cenário do rock naquela época, descobre o mundo das drogas, do sexo e da poesia musical em todas as suas expressões. Vi quando era mais novo e meu sonho era fugir com a banda Rooney para qualquer lugar do mundo. Quem dera…

Na Estrada (On The Road, 2012)

Na Estrada (On The Road, 2012)
Essa adaptação de Walter Salles é baseada no livro de mesmo nome por Jack Kerouac. Conta a história do cara percorrendo os Estados Unidos com amigos, vivendo o excesso das drogas, dramas, música e dos amores que não podemos amar. A sensação de liberdade e reflexão nesse aqui explode tanto quanto Na Natureza Selvagem e minha vontade depois de assistir é pedir carona com uma garrafa barata de vinho na mochila.

A Lenda de Billie Jean (The Legend of Billie Jean, 1985)

A Lenda de Billie Jean (The Legend of Billie Jean, 1985)
A razão de Billie Jean ter fugido da cidade foi por ter sido acusada de um crime que não cometeu. Lutando pelo que é certo e se transformando no processo, recebe a atenção da mídia e se torna uma lenda viva para os jovens dos anos 80. O filme é considerado cult e tem de tudo um pouco, do drama à ação. As personagens são deliciosas e essa estética vintage te amarra na cadeira, sem falar que discípulos que querem fugir por estarem frustrados com as injustiças do cotidiano vão se identificar bastante.

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)

Férias Frustradas de Verão (Adventureland, 2009)
E aqueles que não têm coragem de chutar o pau da barraca e fugir só com as roupas do corpo? Aos menos radicais só resta planejamento. Férias Frustradas de Verão não narra nenhuma fuga em si, mas a história de um garoto que tinha planos para ir à Europa com tudo pago pelos pais, que ficam falidos e dizem que se ele quiser viajar, vai ter de trabalhar. Ele entra para a equipe de perdedores do parque de diversões local para juntar dinheiro e meter o pé da cidade.

Thelma & Louise (Thelma & Louise, 1991)

Thelma & Louise (Thelma & Louise, 1991)
Duas amigas entediadíssimas com a vida que levam planejam férias nas montanhas. Só que quando elas saem da pequena cidade, se metem numa briga de bar que muda todo o destino, as metendo em uma merda após a outra. Fala sobre os revés que passamos sem planejar — e que a vida pode ser uma vadia e homens criaturas muito malditas. No fim, a escolha de viver uma vida pela metade ou a que almejamos termina sendo majoritariamente nossa.

FILMES INDICADOS POR DISCÍPULOS
Pedi para que discípulos do Clube dos Discípulos de Peter Pan indicassem filmes no tema “férias e fuga da sociedade”. Eis aqui as indicações:

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are, 2012)

Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are, 2012)
O filme conta a história de um menino que se sente largado pela mãe (que tem um novo namorado) e pela irmã mais velha (que tem interesses diferentes do dele). Após brigar com a mãe ele foge de casa, entra num barquinho e vai parar numa floresta diferente. Nesta floresta, rodeado por monstros, ele vira rei para evitar ser comido. Escolhi esse filme porque mostra um modo diferente de fugir, o “fugir com a imaginação”. Além de ser um filme maravilhosamente executado com paisagens lindas, pega o adulto e joga na infância, e depois faz crescer de novo em poucos minutos. Mostra como lidar com nossos próprios problemas (refletidos nas personalidades dos monstros) e se fosse pra definir em uma palavra, a única que vem a cabeça é “amor”. É definitivamente um filme sobre amor no sentido mais puro. “I’ll eat you up, I love you so” ♥ — Fabiano Santiago

A Fita Azul (Electrick Children, 2012)

A Fita Azul (Electrick Children, 2012)
Rachel vive em uma comunidade religiosa e isolada e crê ter ficado grávida depois de ter escutado um cassete cor azul, sem ter tido nenhuma relação sexual. Como ninguém acredita na moça, ela foge em busca da voz na fita (um ótimo uso da música “Hanging on the Telephone”), acompanhada de seu irmão e de muita ingenuidade. Ora dando a entender que a garota engravidou imaculadamente, ora nos fazendo acreditar que ela possa ter sido vítima de algum abuso por parte de seu padrasto, o filme nunca deixa clara suas intenções e acaba por perder a oportunidade de discutir temas mais a fundo. — João Vital

Eu e Você (Io e Te, 2012)

Eu e Você (Io e Te, 2012)
Fala sobre Lorenzo, um garoto um tanto anti-social que resolve ficar longe do mundo por uma semana. Para isso ele diz à mãe que esta indo com o colégio numa viagem para as montanhas, só que ele se esconde no porão do prédio onde mora com tudo que precisa para sobreviver: comida, livros, música etc. Os planos são estragados quando sua meia-irmã mais velha, que é uma artista/fotografa viciada em drogas, surge e o chantageia para que ela possa ficar com ele essa semana. A princípio as coisas vão mal por ele ser irritantemente anti-social e ela ser incrivelmente folgada, mas aos poucos, isolados do mundo naquele porão, vão se aproximando. Amo esse filme e apesar de ser do Bertolucci, não tem incesto no final.

Tava de saco cheio de tanto trabalho pra fazer. Faculdade consegue te assustar mais no final do período do que qualquer tipo de devaneio sobre ter meu cartucho de Pokémon roubado e minhas recém 200 horas tiradas de mim. Me permiti sentar, comer rosquinhas (ui) e deixar On The Road rodando em 1080p. Acredite: o filme é mais do que Bella Swan pelada.
Não li o livro “Pé na Estrada” que deu origem a essa adaptação de Walter Salles. Mesmo se tivesse lido, tenho consciência de que apesar de histórias iguais, a forma de expressá-las é diferente (literatura pra cinema). Assim digo para todos os filmes/séries/games baseados em quadrinhos, livros ou afins. Então analiso esse filme como um filme, separado do livro, e de um ponto de vista técnico totalmente meu, ok?

A entrada do filme é um pouco longa, mas já enche os olhos com a saturação. As cores realmente ditam os tons de sentimento de Na Estrada. As cores e os ângulos de câmera (de tirar o fôlego quando temos a perspectiva do passageiro). Mas pra entender melhor, preciso te dizer que a história passa a acontecer quando o escritor Sal (Sam Riley) perde o pai e, percebendo que a vida perde muito dos sentidos que o prendiam a ele mesmo, acaba se unindo a Dean (Garret Hedlund), um Cazuza dos anos 50, e parte por aí pra experimentar coisas totalmente fora da rotina, sempre com muito sexo, drogas e música (as cenas de dança são espetaculares!). 
Algo que me chamou muita atenção foram as personagens de atitudes muito consistentes e facilmente analisáveis (psicologicamente falando), de jeitinho subjetivo. Como quando Dean comenta “deve ser bom ter uma família” e há um corte de cena para uma estrada coberta de neve onde um carro voado passa com Dean ao volante. O vazio que o leva a fazer as coisas que faz. Isso é muito bonito, falando de poesia visual. É sensível.

Também me amarrei em como eles dois se envolveram. A amizade forte dá lugar a um tipo de paixão esquisita, que não fica clara mas dá pra sentir o cheiro (acho que a geração beat tem um cheiro muito específico…). No fim do filme dá pra perceber melhor. E adoro como tratam de sexualidade sem tabu nenhum. Às vezes, Dean me deixava triste. Mesmo que Sal dissesse que gostava de pessoas como Dean, que vivem intensamente, que buscam viver com tudo, eu só via uma casca. Uma casca tentando sentir qualquer coisa. Talvez tenha sido isso que Sal quis dizer, afinal.
Kristen Stewart tem peitos muito bonitos, obrigado, mas os gemidos… deuses! Ela geme muito mal! Só que vou tirar o chapéu pra garota: ela está maravilhosa. Além de legalmente loira, a mulher é linda até o osso. A fotografia e a iluminação só ajudaram a destacar essa beleza simples dela. Como personagem, Marylou, ela faz bem, é estável. No começo não parece, mas depois… O longa se segura muito bem nisso, em atores de calibre como Viggo Mortensen (que além de mostrar o saco escrotal, mostra que é um ator épico. Sem piadas com O Senhor dos Anéis, por favor) e Kirsten Dunst (que interpreta Camille, esposa de Dean). 
Dou destaque especial para Amy Adams, que faz a Jane, drogadinha-mãe-de-família-louca-por-lagartixas. Uma característica do uso das drogas bem comentada no começo do filme é a tremedeira nas mãos. Amy, durante toda sua presença em cena, mantém a nível assustador a fidelidade a esse efeito. Dá um doce pra ela, tá, produção?

Acho que é um filme de busca, de correr atrás de qualquer razão, qualquer inspiração, seja pra viver ou escrever um livro. Fala de desapego e dos amores que não podemos amar. Fala de se afogar em ilusões (hoje muito bem colocadas pela mídia, pela “vida noturna descolada”, o que filmes desse tipo tentam quebrar em paradoxo ao apoio que inspiram) pra entorpecer o “nada” da solidão, do medo de sentir de verdade. 
É uma trip, uma viagem exagerada entre dois caras que são opostos, mas que procuram um no outro o que lhes complete. Por isso os atores funcionam muito bem, por isso o casamento do roteiro com a história brilha: ficou tudo claro. Dá pra entender, acompanhar, sentir, se excitar, julgar e pegar um carro pra voar pelas estradas de pureza só pra entender que depois vamos querer voltar pra casa.
Se não fosse pela instabilidade narrativa (começa bem, fica mais ou menos, fica ótimo e depois acaba), consideraria um ótimo filme. E me dá dó não ter colocado o título entre meus favoritos. Mas cumpre proposta e chega a parecer cult. Que bom que não é.

Pesado, chato, apelativo, complicado, entediante, demente, vulgar, cult demais: essas são as desculpas que sempre ouvi e, em tempos, dei para deixar a obra literária de Vladimir Nabokov namorando poeira na prateleira. Lolita é uma história polêmica, marcante e, na minha opinião, sexy e desgraçada nas medidas certas. A segunda adaptação para o cinema é o foco de discussão na nova categoria, cara!
Ganhei o livro de uma amiga ruiva, com ótimo gosto pra moda e mágico olho de fotógrafa. Minha avó tinha me oferecido a história antes, mas ninguém despertou meu interesse como essa amiga. Na dela, li o livro, gamei e, por recomendação, assisti a adaptação de Adrian Lyne (Proposta Indecente) enrolado nos edredons, traçando uma lata de leite condensado (o que talvez tenha sido uma mensagem do meu subconsciente que ainda não compreendi…).

assistir Filme Lolita

Seria estúpido desejar que o filme contasse todos os muitos detalhes da história de Humbert Humbert lá em 1947, por isso a abertura atira na nossa cara o melhor trecho do livro, o primeiro, enquanto esse mesmo homem, coroa, professor, dirige exausto, o rosto e as mãos colados em sangue, buscando manter sobre o banco do carro o revólver e um simples clipe da cabelo. Nesse pedacinho de cena, fica claro como esse homem se sente atraído por uma menininha e que sua paixão o levou a fazer loucuras.
O filme nem chega perto da vulgaridade. Ela, com 12 anos, não é tão inocente quanto deveria ser. Ele, bem mais velho, é torturado pelos atos da criança e ainda na introdução tenta definir o porquê de se sentir maravilhado por meninas tão jovens. Lolita é a primeira que ele toca e toda a trama se desenvolve daí, de um relacionamento desfuncional, imaturo e exagerado de paixão. Mesmo com todo o jogo sexual, a vulgaridade dá espaço para gestos menos expostos de carinho, como o sarrar dos pés ou ela se sentando no colo dele para ler alguma coisa. Não espere longas cenas de sexo, muito menos claras. O filme não é sobre isso.

Filme Lolita

Filme Lolita

Jeremy Irons interpreta o professor inglês de segredos profundos, traçando bem os limites entre um homem mascarado para a sociedade e um charmoso cheirador de roupas infantis (é verdade) que passa a morar na casa da viúva Charlotte Haze ― interpretada por Melanie Griffith ― em Nova Inglaterra, para ensinar francês na universidade. Essa mulher claramente em crise, solitária, beira a insanidade em certos momentos, se entorpecendo com remédios, odiando a beleza (subjetivamente) e personalidade da filha, Dolores, ou, para alegria geral dos cinquentões, Lolita (Dominique Swain).

A filha é ousada, cínica, mandona, mimada e a mãe não suporta nada que venha dela. Tanto que seu desejo é trancá-la num colégio interno e viver em paz com o homem que poderia tapar o vazio dentro dela, nosso professor Humbert, até descobrir quais foram as reais intenções do cara ao aceitar se hospedar na casa da família Haze: atração doentia por Lolita. Prestes a contar o segredo do homem, o destino move seus dados e, num simples atropelamento, ela morre, deixando nas mãos de Humbert a tutela de Dolores. 
É aí que o limite para o relacionamento deles se mistura com longas viagens de carro pela América do Norte, lojas de conveniência, excesso de doces e apelidos incestuosos, como “papai”. Depois vem o ciúme, o medo de perder, o medo de ser exposto, o medo de perdê-la, a paranóia. E o resto é preciso ver o filme pra não perder o encanto.

Ainda está pra acontecer a adaptação perfeita do livro para o cinema, mas essa chega bem mais perto do que a primeira, de Stanley Kubrick. Em vários momentos me peguei excitado pela situação e paradoxalmente enojado, vomitando repulsa. Essa emoção despertada é exatamente o que Humbert Humbert sente, só que ainda maior! E transmitir esse tipo de coisa exige um trabalho, no mínimo, sincero.

Sabe quando você assiste a um filme beeeem lento, tão lento que dá vontade de dormir e se perguntar aonde que querem chegar com isso? Então, listamos pra vocês alguns filmes assim, mas que no final têm uma história legal e que acabam mostrando o seu valor (rs).

Filmes ZzzZzz calmos e bons

Anota aí pra vocês verem, nem que seja uma vez na vida:

A Pele Que Habito (2011)

dica A Pele Que Habito (2011)

Roberto Ledgard  é um cirurgião plástico que vive com a filha Norma, que possui problemas psicológicos por causa da morte de sua mãe, que teve o corpo queimado e depois de ver seu reflexo se suicidou. Ele convida a filha para ir  junto com ele para um casamento para ela se socializar, mas acaba que lá ela é estuprada e ela acaba achando que foi ele quem fez isso. A partir dai Roberto começa a elaborar um jeito de se vingar do estuprador.

O que achei?

Foi o primeiro filme do Almodóvar que eu vi, e por mais que eu tenha gostado dele, eu não dormi por muiiito pouco (A Fernanda dormiu RS). A história é muito boa e bem pensada, mas como as coisas demoram muito para serem explicadas e pra ter alguma ação, você acaba perdendo o interesse que você tinha no começo. Eu acho que o final vale muito a pena porque o maior mistério é revelado, mas acho que se tivessem dado uma enxugada eu teria gostado mil vezes mais.

Mal Posso Esperar (1998)

Ao saber que Amanda Beckett terminou o namoro, na cerimônia de formatura, Preston Meyers decide entregar uma carta se declarando para a garota, numa festa onde todos os alunos da escola irão. Nela há também a melhor amiga de Preston, Denise; Kenny, um garoto que só pensa em ~perder a virgindade~, e William, um nerd que planeja se vingar do jock ex-namorado de Amanda, Mike Dexter.

O que achei?

Taí um filme que eu adoro, acho super divertido, mas que sempre preciso assistir em duas partes porque, quando chega na metade, já tô quase fechando o olho. O problema dele é a narrativa lenta – apesar do filme inteiro se passar numa festa, ele não é tão agitado quanto deveria ser, e algumas coisas demoram a acontecer. Mas não se enganem! Apesar disso, Mal Posso Esperar é um ótimo filme, clássico dos filmes adolescentes e super estimado nos EUA. Os personagens são puro amor.