Tyrannosaur

"Tyrannosaur" é o primeiro filme dirigido e roteirizado por Paddy Considine, mais conhecido por sua prolífera carreira de ator. Esta obra de caráter pessoal (mas não biográfico) é um passeio pelo Norte da Inglaterra de algumas décadas atrás, repleta de angustiantes personagens reais que enfrentam a vida ao invés de vive-lá, mas não como uma escolha - claramente - e sim uma sentença.

O experiente ator Peter Mulan interpreta Joseph, um viúvo auto-destrutivo, violento e alcoólatra que se afunda dia após dia em sentimentos de raiva que quase lhe roubam a sanidade. Em um desses surtos ele mata o próprio cachorro com um chute, sendo este um estopim que o levaria inconscientemente (na verdade nem tanto) a querer mudar. Com seu único amigo do mundo morrendo de câncer, ele se vê sozinho em uma existência de pouco sentido e muita dor.

Do outro lado temos Olivia Colman, a jovem e talentosa atriz que interpreta Hannah, mulher religiosa de sorriso puro e farto. Mas por trás de sua caridade e oração se esconde uma esposa coagida e infeliz, que sofre nas mãos do marido James (Eddie Marsan, sempre malfeitor, sempre excepcional). O relacionamento um tanto doentio dos dois (a loucura dele unida a aceitação dela) pode parecer absurdo em um primeiro momento. Mas é comum, simplesmente.

No entanto, Hannah e Joseph juntos buscaram a redenção que tanto almejam. Meio que de uma forma disfuncional, enquanto tentam se afastar, eles se aproximam, pois estão sozinhos e precisam um do outro. Mas a realidade é cruel, e este é um filme realista, acima de tudo. 

A direção de Considine é pálida e bela, mas é seu roteiro que realmente chama a atenção. Os detalhes de cada personagem, tanto principais como secundários, são ricos e elucidativos. O tema pesado e depressivo demonstra coragem e principalmente atitude do diretor, que une lembranças de seu próprio passado a uma história ficcional devastadora. O filme venceu prêmios importantes por todo mundo, sendo os principais o britânico BAFTA, Sundace Film Festival, British Independendent Film Awards e Chicago International Film Festival.

No final, "Tyrannosaur" deve ser visto por aqueles que apreciam histórias brutalmente reais e buscam melhor entender a vida... Tudo como uma forma de aprendizado.

PS: O título "Tyrannosaur" é uma metáfora explicada no filme, e não vem ao caso revelá-la.







Tyrannosaur: Inglaterra/ 2011/ 92 min/ Direção: Paddy Considine/ Elenco: Peter Mullan, Olivia Colman, Eddie Marsan, Paul Popplewell, Ned Dennehy

Jeff, Who Lives At Home

Os irmãos Jay e Mark Duplass devem obviamente ter problemas sérios envolvendo maturidade e maternidade. Depois de chamarem certa atenção em Sundance com "The Puffy Chair", os caras lançaram "Cyrus",  excelente filme que conta a história de um jovem infantilizado pela mãe, e que recebe de forma psicótica o novo namorado dela. Muito bom de fato!

"Jeff, Who Lives at Home" segue por esta mesma linha de raciocínio. Temos novamente um triângulo formado por (claramente) Jeff, seu irmão Pat e a mãe Sharon. Apesar de "Jeff,..." não alcançar, nem de perto, a eficiência de "Cyrus", o filme é sim uma boa diversão, com um roteiro bem amarrado que, mesmo esfriando bastante no final do segundo ato, apresenta um desfecho surpreendente, que aplaina alguns defeitos da obra, fazendo dela uma simpática fita a se relacionar.

A história é cretinamente simples e fantasiosa. Jeff é um cara de trinta anos, desempregado, que vive na casa da mãe e gosta de fumar maconha em seus longos cachimbos, os famosos bongs. Iremos acompanhar então um dia de sua vida.

O fato é que Jeff parece meio biruta, daqueles que veem sinais em tudo sabe? - assistiu "Sinais" de S
hyamalan muitas vezes pois adora ver como as coisas funcionaram para o Mel Gibson e Cia. Ele se diz ligado ao universo, e vive esperando que o destino bata à sua porta. Não é um hippie, é só um porra louca gente fina (afinal todos são). Após atender uma ligação errada, procurando por um tal de Kevin, ele resolve encontrar este individuo... o tal do Kevin ("pois não existem ligações erradas"), saindo pelas ruas atrás de seus sinais.

No meio do caminho ele tromba com seu irmão Pat (outro sinal), um sujeito superficial que acaba de comprar um Porshe com o dinheiro que não tem. Apesar de meio idiota, Pat no fundo é uma boa pessoa, ele apenas não curte esse negócio de sentimentos, o que acaba sendo um problema e tanto para sua mulher Linda. E distante de tudo isso, a mãe dos dois malucos, Sharon, vive uma aventura em seu trabalho, que pode mudar sua forma de ver a vida. Algo assim.

Jason Segel faz o papel de Jeff. Apesar de ser um excelente ator, ele acaba não sendo explorado, digamos... de forma mais enfática pelo roteiro. Ficou ligeiramente caricato, mas ainda sim muito engraçado. Já Ed Helms transforma Pat em um personagem patético e hilário - grande atuação -, e Susan Sarandon traz humanidade acima da média para Sharon.

No final, "Jeff, Who Lives At Home" diverte. Quando você começa a se cansar um pouco os irmãos Duplass acabam lhe surpreendendo no final, emocionando e ensinando algumas lições. Jeff, apesar de seu jeito destrambelhado, busca um sentido para sua vida, um propósito. Ele quer deixar uma marca, seja ela qual for. Devido a isso ele é, verdadeiramente, um bom homem. Quer ajudar, quer ser útil, apesar das "aparências" dizerem o contrário. Uma mensagem positiva diferenciada. Vale a pena ver numa tarde qualquer. 



























Jeff, Who Lives At Home: EUA/ 2011/ 83 min/ Direção: Jay Duplass, Mark Duplass/ Elenco: Jason Segel, Ed Helms, Susan Sarandon, Judy Greer, Rae Dawn Chong, Steve Zissis

Michael

O austríaco Markus Schleinzer escolheu um tema polêmico para iniciar sua carreira como diretor. Em seu primeiro trabalho, ele aborda de forma metódica o comportamento de um pedófilo, mas não um qualquer. O personagem Michael - que dá nome ao filme - é um corretor de seguros que aparentemente leva uma vida normal, a não ser por manter preso no porão de sua casa um garoto de 10 anos, Wolfgang, do qual abusa periodicamente.

Fica claro que Schleinzer  se propõe a contar uma história e nada mais. O realismo - a única mensagem da fita - é caracterizado pelo andamento extremamente lento, a total ausência de trilha sonora, e planos basicamente fixos. Abordando o tema através do ponto de vista do agressor, o diretor cria uma obra autêntica, e que mesmo sem ser explícita em qualquer sentido, choca profundamente.

O ator principal, ironicamente, se chama Michael Fuith. Ele declarou em uma entrevista, para o site Deutsche Welle, que inicialmente não queria interpretar o papel, mas diante do desafio acabou aceitando. Para incorporar o pedófilo sequestrador, Fuith simplesmente adotou uma personalidade vazia, completamente desprovida de sentimentos, sendo seus momentos de humor ou satisfação uma distorção bizarra desta falta de humanidade.

Schleinzer - que é um experiente diretor de elenco e colaborador de longa data do mestre Michael Haneke ("A Fita Branca") - se inspirou para este trabalho nas surpreendentes histórias reais de Josef Fritzl - o monstro de Amstetten, que violentou sua própria filha durante absurdos 31 anos (e teve sete filhos com ela) -, e Natascha Kampush - garota que ficou presa por mais de oito anos no porão de Wolfang Priklopil (que se matou após a mesma fugir) e desenvolveu síndrome de Estocolmo. Definitivamente histórias interessantes e altamente indigestas.

No final, "Michael" merece ser visto. Ele incomoda, causa revolta, nos faz sentir pelas famílias envolvidas (principalmente pela do agressor) e nos lembra que, por mais deturpado e desprezível que esse comportamento possa ser, essas pessoas (violentas) existem, e muitas vezes passam pela vida incólumes. Isso é o mais assustador.

PS: No Brasil também foi registrado um desses casos, muito semelhante ao de Josef Fritzl. O ex-lavrador José Agostinho Bispo Pereira foi acusado de estuprar suas duas filhas, gerando nelas oito filhos-neto. Ele também abusou de duas dessas crianças.





Michael: Áustria/ 2011/ 96 min/ Direção: Markus Schleinzer/ Elenco: Michael Fuith, David Rauchenberger, Christine Kain, Ursula Strauss, Victor Tremmel

Cinema & Arte #03

 

                   





In Darkness

Por mais que existam obras relevantes sobre o holocausto, como a "A Lista de Schindler" de Steven Spielberg - que é marcada principalmente por sua violência gráfica -, são as histórias individuais e menos focadas em atrocidades que exemplificam de forma aprofundada os horrores da Segunda Guerra Mundial. Em "In Darkness", percebemos que para ser um herói basta salvar uma vida, e ter coragem de se fazer a coisa certa em condições extremamente adversas.

O longa dirigido por Agnieszka Holland é baseado na história real do "goy" Leopold Socha, um "trabalhador dos esgotos" que, durante a ocupação nazista na Polônia, usou seu conhecimento da rede de esgoto da cidade de Lwów para refugiar um grupo de judeus que escapou do extermínio no gueto de Lemberg. O que primeiramente se iniciou como uma barganha comercial, terminou como um elo de amizade e proteção inquebrável, com Socha arriscando sua vida e de sua família para proteger "seus judeus".

A direção de Holland é sutil e inteligente. Procurando se diferenciar, ele emprega no inicio da obra um clima estranhamente ameno, não ausente de urgência, mas definitivamente diferenciado. A câmera se esgueira por entre as cenas, como se procurasse seus personagens em meio a fumaça e pessoas que insistem em cruzar o caminho de suas lentes. O roteiro, alicerçado pelo livro da pequenina sobrevivente Krystyna Chiger (The Girl in the Green Sweater: A Life in Holocaust's Shadow), detalha de maneira honesta a luta pela sobrevivência deste grupo de pessoas que passou mais de um ano vivendo nos esgotos. O texto inova ao explorar os judeus de forma menos mecânica, não como vítimas robóticas prontas para a morte. Existe egoísmo, falta de consideração de todas as partes, impulsos sexuais aparentemente incompreensíveis e diversos outros elementos que fazem da experiência algo humanamente crível.

O time de atores traz alguns rostos conhecidos do cinema europeu, como Benno Fürman, que interpreta o valente Mundek, e Herbert Knaup, que vive Ignacy, o rico patriarca da família Chiger. Toda a produção da obra é impecável, recriando os ambientes inóspitos com requintes de detalhes. Os ratos se tornam brinquedos nas mãos das crianças. A eficiente trilha sonora de Antoni Lazarkiewicz cumpre sua função de conduzir o público de forma cadenciada por este caminho - no mínimo inacreditável - trilhado pelos sobreviventes, sendo contundente nos momentos de tensão e mais silenciosa na hora da dor.

No final, "In Darkness" deve ser visto devido a sua arrasadora história real. No filme podemos sentir mais de perto o horror da guerra, sentir por debaixo da pele, imaginando como foi possível que uma proeza dessa tenha se realizado. A luz já havia sido esquecida pelos menores, ela causava medo, insegurança. Eles já estavam morbidamente acostumados à escuridão.
     
PS: "In Darkness" foi merecidamente indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012, perdendo para o iraniano "A Separação". 





In Darkness: Polônia, Alemanha, Canadá/ 2011/ 145 min/ Direção: Agnieszka Holland/ Elenco: Robert Wieckiewicz, Benno Fürmann, Agnieszka Grochowska, MAria Scharader, Weronika Rosati

Indie Game: The Movie

Um retrato honesto e visceral do cenário independente de games.

Definitivamente vivemos uma era sem igual para o mundo dos video games. Eles nunca geraram tanto dinheiro, nunca foram tão influentes em nossa cultura pop, nunca foram tão legais. 

Mas em como todo bom mercado de entretenimento - pulsante, acelerado -, é possível perceber que hora ou outra algo se perde pelo caminho... quando a grana que rola por trás é altíssima sabe? Leia-se qualidade. Estamos falando de jogos imensos que para alguns dizem muito, muito pouco.

Por isso sempre existirá o bendito independente. Pode ter certeza que, paralelamente a qualquer indústria, sempre teremos o honesto, criativo, batalhador e - acima de tudo - necessário cenário independente, de qualquer coisa, neste caso em particular: dos games. Esse é o interessante mote de "Indie Game: The Movie", documentário canadense que acompanha basicamente três jogos exponenciais do meio: "Braid", "Super Meat Boy" e "Fez".


Quando "Indie Game..." foi gravado, "Braid" já havia sido lançado, e seu criador Jonathan Blow já possuía certa áurea Jedi perante a comunidade gamer. Altamente cotado por sites especializados, o título é um marco nesta ascensão dos jogos independentes, feitos por equipes enxutas (de duas ou três pessoas), com baixo orçamento e retorno financeiro e midiático mais que satisfatório.

No entanto o foco da fita não está no sucesso dos "produtos", mas sim na análise profunda do impacto causado por este extenuante, complicado e solitário processo de trabalho. Para se conseguir um jogo com personalidade própria é preciso doação, e não apenas limar imagens até alcançar a perfeição. É como um filho que nasce, e muitos desses profissionais acabam sofrendo de depressão pós-parto. Blow mesmo disse ter enfrentando momentos difíceis após o lançamento de "Braid", principalmente por que sua obra não foi compreendida totalmente, foi encarada como um puzzle inovador, diferenciado, mas não do jeito que ele imaginava.  Por mais mesquinho que isso possa parecer, tudo é resultado de um desenvolvimento verdadeiramente estressante, alicerçado por uma pressão enorme causada por diversos motivos - leia-se fim da vida social, negociações com a Microsoft e por aí vai.


O caso de Edmund McMillen e Tommy Refenes não é muito diferente, psicologicamente falando. A dupla que forma o Team Meat é meio que o centro do documentário. Seu jogo, "Super Meat Boy", foi acompanhado em seus últimos sete meses (decisivos) de finalização. Temos então estes dois indivíduos complexos que amam os games de uma maneira extrema, como uma forma autêntica de expressão. O passado e presente de ambos são esmiuçados. Vemos histórias emocionadas de como os jogos são importantes, como influenciaram suas famílias, a formação de caráter. No final tudo se resume a integridade autoral. Tommy em certo momento diz, "Tenho de fazer isso eu mesmo, pois não me vejo trabalhando na EA ou na Epic, isso me soa como o inferno. Se existe um público que prefere comprar "Modern Warfare" ou "Halo Reach" tudo bem, mas esses jogos são uma merda, e essas pessoas não irão comprar meus jogos, pois eu não faço jogos de merda". "Super Meat Boy" se tornou um fenômeno maciço de vendas e crítica.

Por fim temos o sofredor Phil Fish e seu já lendário "Fez". Fish talvez exemplifique de maneira mais abrangente o que é ser um desenvolvedor indie. Seu projeto extremamente pessoal – Fez é Fish – primeiramente se revelou uma promessa animadora em 2008. Depois de alguns anos se tornou uma dúvida sarcástica, e hoje... finalmente foi lançado com sucesso. O cara enfrentou todos os tipos de problemas possíveis durante este árduo período: seu parceiro de equipe o abandonou (o que acarretou posteriormente problemas judiciais relacionados a direitos autorais), seu pai teve leucemia, a namorada o largou. Problemas e mais problemas que fizeram de Fish uma pilha de nervos ambulante. Ao acompanharmos sua epopeia na feira de games PAX East, com uma demo sofrível e cheia de bugs, percebemos que o cara enfrenta sua última tentativa de fazer a coisa dar certo. Se o jogo não fosse bem ele literalmente sumiria do mapa. Um futuro incerto e cruel.

"Indie Game: The Movie" é um documentário acima da média. Os diretores Lisanne Pajot e James Swirsky analisaram mais de 20 histórias diferentes, selecionando apenas três delas, e o resultado não poderia ser melhor. Muito bem registrado, editado e acompanhado pela excelente trilha de Jim Guthrie ("Superbrothers: Sword & Sworcery EP"), o filme é um passeio prazeroso e ao mesmo tempo melancólico por este universo gamer tão único e expressivo, que mesmo sofrendo de certas contradições morais, almeja principalmente a satisfação dos jogadores, buscando influenciar novos olhares e pensamentos. Novas vertentes. Todos esses sentimentos misturados constroem um cenário independente relevante e - repito - extremamente necessário. Vida longa aos indie games!

PS: "Indie Game: The Movie" contou com um financiamento colaborativo (só para honrar o tema) e foi realizado com 100 mil dólares. Foi premiado no Festival de Sundance e selecionado para o Hot Docs, South by Southwest (SXSW), entre outros. O longa terá uma única exibição no Brasil, no dia 26 de junho na Estação Sesc, Rio de Janeiro. Ele está disponível para download neste link.  






















Indie Game: The Movie: Canadá/ 2012/ 94 min/ Direção: Lisanne Pajot, James Swirsky/ Elenco: Jonathan Blow, Phil Fish, Edmund McMillen, Tommy Refenes

The Raid: Redemption (Operação Invasão)

Vire e mexe surge um título de pancadaria lá pelos lados do oriente que todos dizem ser o máximo do gênero. E foi isso que aconteceu com o recente longa indonésio "The Raid: Redemption" (ou "Operação Invasão", no Brasil). Não me entendam mal, o filme tem sim seu valor, mas acho que o barulho foi alto demais para uma obra que ano que vem pode ser superada por uns caras mais malucos ainda e que se utilizam da mesma fórmula infalível: pouca conversa e muita porrada.

E de porrada o diretor Gareth Evans entende. Sua direção é extremamente competente na hora de conduzir a câmera junto aos lutadores em espaços confinados. Uma edição esforçada também auxilia no dinamismo das cenas e trucagens feitas "na raça" dão aquele toque especial para a produção. O time de lutadores é excepcional, creio que alguns devem ter morrido para que o filme ficasse tão realista (brincadeira). A verdade é que neste longa não existe muito daquela história de luta coreografada, pois, a sequência deve ser seguida, mas as pancadas são bem reais.

Outro fator relevante é a violência "gore", que realmente conquista os mais sádicos. Oferecendo um realismo cruel, temos mortes e mais mortes sem aquela censura que parece impregnar os filmes de hoje, ela é gratuita e belíssima. Quando as balas acabam entram as armas brancas, e aí as coisas ficam mais interessantes. Arrisco dizer que "The Raid..." tem algumas das mais explicitas cenas contendo facadas em rostos, pescoços, peitos e pernas. Um festival de sanguinolência ao melhor estilo prisional, entende?! 

No entanto, o grande problema de "The Raid..." é seu roteiro fraquíssimo, sendo a trama rasa apenas uma desculpa para a ação. Nela, um grupo de 20 soldados de elite invade o QG do maior bandido de Jacarta, afim de desbaratinar toda sua quadrilha. A operação policial é alicerçada por algumas razões escusas e o mocinho tem uma motivação extra para entrar na batalha. E só! 

Outro ponto negativo é o grupo de atores, que são lutadores apenas. Iko Uwais, estrela máxima da fita (e que faz sucesso em produções do mesmo calibre), tem a profundidade de uma iguana. A atuação em geral vai pelo estilo clássico asiático, caricato e exagerado, um formato que funciona muito bem quando utilizado por bons profissionais. Daí o outro fala: "Porra, quem liga pra isso? Roteiro? Atuação? O filme é 'mor' legal, cheio de pancadaria, tiro pra todo lado, é sensacional", daí eu falo: "Parabéns, você irá gostar muito mesmo do filme se não liga para o básico do cinema."

Juro que esperava mais desse filme. Me diverti vendo ele? Sim, em alguns poucos momentos. Apesar dos defeitos temos umas quatro ou cinco cenas interessantes. É um bom trabalho? Não, é irregular, simplesmente. Pouco tempo atrás - em 2007 para ser mais exato - surgiu um longa com a mesma proposta de porradaria extrema, o chinês "Flashpoint", com os caras praticamente se matando e por aí vai. Este, por exemplo, é mais filme que o "The Raid..." (veja uma cena de "Flashpoint" clicando aqui).

PS: Creio que o diretor Evans se inspirou fortemente em nosso "Tropa de Elite", que tem porrada, violência, mas tem um excepcional roteiro e não deixa nada no vazio. 























The Raid: Redemption/ Serbuan Maut/ Operação Invasão: Indonésia, EUA/ 2011/ 101 min/ Direção: Gareth Evans/ Elenco: Iko Uwais, Joe Taslim, Donny Alamsyah, Verdi Solaiman