Slow West - Crítica


Amor e Morte no Oeste

Por razões atípicas, Slow West é um faroeste único, começando por sua locação. Apesar da história se passar na América, o filme foi todo gravado na Nova Zelândia. A beleza das colinas verdes reluzentes do local cria um estranho e admirável palco para o gênero. 

Em segundo lugar, o elenco vem de todos os lugares possíveis do mundo, menos da América. O jovem ator Kodi Smit-McPhee é australiano, e interpreta o protagonista Jay Cavendish, que na trama é escocês. Já Michael Fassbender, que é teuto-irlandês (alemão e irlandês) dá vida ao cowboy Silas Selleck. Toda a equipe de apoio segue o mesmo padrão de nacionalidades errantes. Ainda sim, esta inexatidão funciona perfeitamente, e se torna algo especial dentro das rotineiras abordagens do tema.



Slow West apresenta como alicerce principal de sua trama o amor obstinado do personagem Jay pela jovem Rose, que fugiu da Europa para o oeste americano junto com o pai. Quase que insanamente decidido, o garoto parte em busca da amada, e durante o perigoso trajeto, encontra diferentes indivíduos locais, quase todos de intenções duvidosas. 

Logo no início, percebermos que este não é um bang-bang tradicional, pelo menos em termos de ação e aventura. A experiência é tranquila, mais dramática e cômica do que qualquer outra coisa. Obviamente existem tiroteios e vítimas, mas o peso das mortes destoa de padrões, por serem ironicamente banalizadas em alguns momentos, e carregadas de uma tristeza simbólica em outros. Ou seja, uma mistura muito bem medida que consegue emocionar e fazer rir quase que drasticamente.  

Apesar da simplicidade do enredo, o conceito narrativo é diferenciado, e explora de maneira romantizada, quase lúdica, o destino dos personagens. O humor de qualidade é a válvula de escape para temas mais sérios abordados, como o extermínio ignorante de índios naquele período, e até mesmo o ínfimo futuro de órfãos no velho oeste.



Slow West foi o primeiro longa-metragem do jovem diretor e roteirista escocês John Maclean. O cara esteve envolvido por um tempo com o grupo de música experimental The Beta Band, e agora se aventura de forma promissora pela sétima arte. Sua força autoral realmente impressiona, assim como sua atenção aos detalhes na hora da execução. Uma estreia memorável no ofício. 

Estas qualidades de Maclean, unidas àquele intrínseco amálgama de nacionalidades de que falei, fazem de Slow West um filme de muita personalidade, que até mesmo transcende o gênero faroeste. Ainda sim, esta é uma história clássica sobre homens perdidos, exaustos e revoltados, todos com armas nas mãos e mais nada a perder. Recomendado.



Slow West: Reino Unido, Nova Zelândia/ 2015/ 84 min/ Direção: John Maclean/ Elenco: Kodi Smit-McPhee, Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Caren Pistorius, Rory McCann

Chappie - Crítica


Produto Artificial

Depois de Distrito 9, o sul-africano Neil Blomkamp se tornou uma nova referência do sci-fi. Seu estilo documental, apoiado por efeitos especiais extremamente orgânicos e realistas, tomou audiências de assalto. Foi algo memorável para o gênero. 

Em seguida, o diretor lançou Elysium, que tinha a difícil missão de manter a qualidade autoral de seu trabalho anterior. Se tratando visivelmente de um filme enlatado pelo estúdio, o resultado dividiu opiniões, e mais que rapidamente demonstrou que Blomkamp é um ser humano passível de erros.


Pouco tempo depois veio o anúncio de Chappie, produção claramente intimista, de proposta inovadora, visual belíssimo, conceitos e protótipos muito bem definidos, orçamento enxuto, o que significa mais liberdade criativa para o autor, e por aí segue. Só que mesmo com esses denominadores apontando para um resultado positivo, isso não aconteceu. Chappie é ruim, basicamente uma tragédia, principalmente por desperdiçar seu enorme potencial.




A história apresenta a criação de uma inteligência artificial que se desenvolve como uma criança, que precisa ser guiada pela mão, ensinada. O chip que contém esta incrível e revolucionaria programação foi implantado em um robô de guerrilha qualquer, uma das muitas peças de um exército autômato, desenvolvido para lidar com a crescente violência urbana. Por ser único, Chappie (seu nome de batismo) se torna valioso. Para alguns ele vale o mesmo que um bom amigo, para outros nem tanto.


Como foi dito, a premissa é interessante, e até mesmo se assemelha com a de Distrito 9: uma entidade, por assim dizer, que se vê perdida em um ambiente completamente diferente e hostil, procurado por alguns, destratado por outros. O grande problema de Chappie, no entanto, é o vazio entre o começo e o fim. 




É triste perceber que a obra não possui nenhuma motivação cativante, e em muitos sentidos nem sequer coerente. Mesmo que a inaptidão do robô seja usada para explorar situações engraçadas, ou que denunciam diferenças sociais, existenciais..., mesmo assim, é absolutamente enfadonho acompanhar o crescimento desta criatura espetacular. Deveria ser exatamente o contrário, e isso decepciona ainda mais.

A escolha dos músicos Ninja e Yo-Landi como protagonistas ao lado de Chappie definitivamente não ajudou em nada. Blomkamp preza pelo realismo em seus filmes, mas forçar não atores a atuar não é realismo, é um erro. O uso de não atores precisa ser algo natural, senão tudo se perde, e pelo que se falou do comportamento de Ninja nos sets de filmagem, as gravações foram um verdeiro pé no saco.

Se a dupla tivesse menos tempo de tela (uma ou duas cenas, por exemplo), a participação seria mais positiva, talvez. Mas para isso a premissa teria de ser outra, como por exemplo, Chappie tentar se virar sozinho no mundo (por que não, né?), ao invés de ser criado por gângsters, aprender valores problemáticos, desaprender valores problemáticos, gerar situações politicamente incorretas e não tão engraçadas.




A sensação de desconforto e descompasso com as atuações se estende também para os coadjuvantes e ironicamente para os astros hollywoodianos da fita. O britânico Dev Patel interpreta o engenheiro Deon Wilson, que basicamente é uma definição grosseira de um cientista bonzinho tentando ser uma espécie de antropólogo moderno de final de semana. A personagem de Sigourney Weaver basicamente não tem relevância nenhuma. E o engenheiro militar, jarhead, Vincent Moore, vivido por Hugh Jackman, é talvez o pior e mais desnecessário vilão dos últimos tempos, muito disso por sua escolha de corte de cabelo. Já Sharlto Copley é Chappie, e ele manda bem.

No final, a experiência é estranha e decepcionante. O filme oferece um poder estético embasbacante, mas quem procura algo mais significativo, notará as inúmeras fraquezas. Chappie não possui identidade, é apenas um produto artificial cheio de boas intenções, mas que não convence ninguém. Não Recomendado.
  
PS: Ainda quero acreditar que o novo Alien será a redenção de Blomkamp.



Chappie: EUA, México/ 2015 / 120 min/ Direção: Neil Blomkamp/ Elenco: Sharlto Copley, Dev Patel, Hugh Jackman, Ninja, Yo-Landi Visser, Sigourney Weaver

Carne por Combustível | Curta Sangrento no Apocalipse de Mad Max



Assista este sangrento curta inspirado no universo de Mad Max, em especial no último filme da franquia Estrada da Fúria. A produção é dos caras do canal do Youtube Corredor Digital, e o resultado como de costume ficou excelente. O vídeo faz parte de uma campanha de divulgação do jogo Mad Max do Avalanche Studios, que será lançado mês que vem para Xbox One, PS4 e PC.

Disney - Infelizes para Sempre

Infância destruída em 3..2..1

Conheça a série de montagens/ilustrações intitulada Disney - Infelizes para Sempre, do artista Jeff Hong. O cara insere, com extremo humor negro, famosos personagens animados (amigos do Mickey) em ambientes reais bem depressivos. Uma espécie de protesto nostálgico e cínico.























No tumbrl do autor, Unhappily Ever After, tem mais algumas imagens (aqui http://goo.gl/vA7L6C.)

Livro reúne Trajes de Star Wars, A Trilogia Original



Livro reúne fotos e fatos sobre os famosos trajes e figurinos da Trilogia Original de Star Wars

Depois de Dressing a Galaxy: The Costumes of Star Wars (livro de 2005 que se focava na Trilogia Prequela de Stars Wars), foi lançado recentemente Star Wars Costumes: The Original Trilogy, que como o próprio nome revela, reúne um conteúdo massivo de fotos e fatos mais que interessantes sobre os trajes e figurinos confeccionados para a trilogia original de Star Wars, formada pelos filmes Uma Nova Esperança IV, O Império Contra-Ataca V e O Retorno de Jedi VI.


O acesso aos arquivos da Lucasfilm foi total, e o resultado compila mais de 200 fotos com detalhes nunca vistos antes, além de sketches, designs conceituais, notas de produção, fotos dos bastidores e entrevistas. É possível entender e visualizar melhor o processo de criação dos trajes de personagens como Darth Vader, R2-D2, C-3PO, Boba Fett, Yoda, os Jawas, os Ewoks, o biquíni metálico da Princesa Leia, os uniformes de batalha dos Stormtroopers, e por aí vai, a lista é extensa. 

O livro reúne também um profundo ponto de vista do tema ofertado pelos autores Brandom Alinger, John Mollo, Nilo Rodis-Jamero e Aggie Rodgers, todos profissionais que estiveram diretamente ligados na criação e manutenção dessas peças celebradas. Star Wars Costumes: The Original Trilogy foi lançado pela editora Chronicle Books, e não possui versão em português. Veja abaixo algumas fotos do livro, e também um vídeo que apresenta os bastidores de sua criação. Você pode adquirir o livro aqui.










Pixels Animados de Mad Max: Estrada da Fúria


O excelente trabalho em equipe do ilustrador Misha Petrick e do animador Mazok Pixels deu origem a esta série de gifs pixelizados de Mad Max: Estrada da Fúria.






Em breve serão liberadas mais imagens, fique atento. A página dos criadores é a Be Street.

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência


"Fico feliz de saber que está bem"

(Antes de tudo, este é talvez o melhor título de todos os tempos, não acha?) Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência é a terceira parte da trilogia existencial do diretor sueco Roy Anderson. O filme segue um ritmo semelhante de seus antecessores (Canções do Segundo Andar e Vocês, os Vivos), e com uma incomparável narrativa, consegue explorar toda a complexidade da vida, suas tristezas e alegrias, medos e dependências.

O roteiro é dividido em diversos episódios erráticos, que em alguns casos são interligados, em outros apenas ocasionalmente se cruzam. Dois parceiros vendedores de artigos humorísticos (como máscaras e dentaduras de vampiros), rotineiramente tem sua relação explorada dentro destes episódios, mas não existem protagonistas na obra de Anderson, as coisas não funcionam dessa maneira.




Capturadas quase sempre sem cortes, as pequenas estórias são basicamente cenas teatrais, coreografadas e encenadas como numa peça. Atores carregam seus rostos e mãos com uma pesada maquiagem branca, o que lhes dá um aspecto cadavérico. É um expressionismo moderno que, de maneira completamente peculiar, navega por humores lúdicos e dramas existenciais profundos, muitas vezes depressivos e sem esperança.

Esta transição de humor e drama acontece drasticamente, e da estranheza nasce a genialidade autoral e técnica do trabalho. Um Pombo Pousou... oferece principalmente liberdade para audiência, por ser completamente subjetivo. A fotografia fria, de enquadramento sempre centralizado, juntamente com uma cenografia detalhista, faz com que visualmente o trabalho agrade aos olhos, por mais estéreis que as locações pareçam. 



Em determinada cena, logo no início, um velho gordo abre uma garrafa de vinho, enche um copo... e bebe lentamente. Sua expressão corporal exagerada, estranhamente mórbida, gera desconforto, e isso é, de alguma forma descalibrada, uma situação bem engraçada. Logo em seguida ele leva a mão ao peito, se joga contra a parede e cai no chão desfalecido, vítima de um provável infarto. O realismo da morte é perturbador, deprimente, e segundos antes você estava rindo da mera existência do personagem.

Enfim, é impossível descrever com fidelidade a real sensação de assistir Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência. É preciso ver para crer.
 Como o próprio diretor divagou, do alto do galho, o pombo reflete sobre nossa existência, imaginando o que diabos estamos fazendo aqui embaixo, na terra dos homens. Basicamente, a ideia (e questão) principal do filme é essa. Recomendado.






Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência/ A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence/ En duva satt på en gren och funderade på tillvaron: Suécia, Alemanha, Noruega, França/ 2014 / 101 min/ Direção: Roy Anderson/ Elenco: Holgar Andersson, Nils Westblom, Charlotta Larsson, Viktor Gyllenberg

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