Hackers Venceram a Sony e a Liberdade de Expressão

#Este é o dia em que hackers mesquinhos derrotaram a Sony

Quem esteve fora do planeta nas últimas semanas provavelmente não sabe que a gigante Sony Pictures, divisão da megacorporação responsável por filmes e séries, foi hackeada pelo grupo autodenominado Guardians of Peace (Guardiões da Paz). O ataque foi severo, aparentemente 100 terabytes de informação foram roubados. Isso é inacreditavelmente muita coisa.

Basicamente tudo foi levado: dados completos de funcionários e ex-funcionários, roteiros, projetos para TV, e-mails de altos executivos e produtores ofendendo celebridades como Adam Sandler, Angelina Jolie e Leonardo DiCaprio, até mesmo longas inteiros que aguardam lançamento. A situação não poderia ser pior para a Sony. E o motivo disso tudo só pode ser descrito como estupidamente estúpido: a agenda dos tais Guardiões da Paz era impedir o lançamento do filme A Entrevista, da dupla dinâmica Seth Rogen e James Franco.

 
Bem, A Entrevista conta a história do apresentador de televisão americano (fútil e idiota) David Skylark (Franco) e seu produtor Aaron Rappaport (Rogen), que passa por uma espécie de crise de consciência, diante do lixo televisivo que produz, o que lhe desperta uma gana por matérias mais relevantes. Eles conseguem então uma entrevista histórica com Kim Jong-un, líder supremo da Coreia do Norte, que por acaso é super fã do programa de Skylark. Sabendo dessa possibilidade rara de aproximação, a CIA pede gentilmente para os americanos assassinarem o ditador, assim que possível. 

Alguns críticos assistiram A Entrevista, e foi unânime que o filme é mediano. Um típico trabalho de Rogen, com dois amigos malucos tentando escapar de situações perigosas, enquanto fumam maconha e cultivam uma relação homoerótica fortíssima. Só de ver o trailer, fica bem claro que os americanos são o verdadeiro alvo das críticas, enquanto Kim Jong-un é simplesmente uma caricatura simbólica. Ou seja, um filme meia boca, que agora o planeta inteiro quer ver.

 
Os Estados Unidos acreditam ter provas que a Coreia do Norte está por trás do hack da Sony. A Coreia por sua vez declarou, em diferentes ocasiões que, "se recusa a negar o fato, mas que o mesmo foi algo justo". Parece que não existe muito o que possa ser feito, diplomaticamente falando. A bomba de efeito moral seria a Sony se render ao sabor da vingança, e lançar o bendito filme para todo mundo ver. Mas nem isso vai acontecer, pelo menos até agora. Algumas ameaças e referências ao 11 de setembro, divulgadas pelo grupo hacker, fizeram cadeias de cinema abandonarem a missão de trabalhar com a fita. Uma após a outra, todas desistiram. A Sony resolveu então cancelar A Entrevista, nos cinemas e também suas vendas em DVD. Não haverá lançamento nenhum, Seth Rogen e James Franco cancelaram entrevistas de divulgação e não falam mais do póstumo trabalho. 

Nem é preciso dizer que a internet reagiu de maneira explosiva a decisão da Sony. O pensamento geral é: caramba, hackers terroristas venceram, eles dominaram Hollywood, é o fim da liberdade de expressão (veja aqui). Realmente, é muito triste saber que um grupo terrorista hacker pode cancelar o lançamento de um filme. Talvez alguns não sintam a pressão dessa ação de maneira enfática, por que afinal, como disse, esta é uma produção meia boca, de dois comediantes que provavelmente estão rindo disso em casa enquanto fumam maconha e se congratulam por terem entrado para história do cinema (e realmente entraram). No entanto, e se amanhã alguém quiser falar sério sobre o assunto, sobre a Coreia do Norte e seu regime ditatorial insano? Não vai rolar? Hollywood vai se curvar com o rabo entre as patas?

 
Talvez a decisão da Sony de não lançar o filme seja mais financeira do que qualquer outra coisa. Eles já perderam muito dinheiro com o escândalo, e os prospectos devem ser piores ainda, então, mesmo com o prejuízo da produção, o quanto antes pararem de falar nela melhor. Mas aconteceu exatamente o contrário, tudo mundo só fala disso, todo mundo quer ver A Entrevista, e provavelmente vai conseguir, de uma forma ou de outra. 

A atitude da Sony, de cancelar o lançamento do filme, simbolicamente monta uma imagem de Hollywood se acovardando, e isso é realmente negativo para aquele conceito de liberdade de expressão (mesmo que Hollywood meio que seja um antônimo disso em alguns casos). Sendo assim, a cruzada juvenil dos hackers foi bem sucedida, A Entrevista sumiu, eles venceram. Mas toda a repercussão  do ataque, desse "ato de guerra", fez de A Entrevista uma espécie de clássico cult. Se Kim Jong-un foi responsável por esta presepada toda, ele saiu mais queimado do que nunca, por mais impossível que isso pareça. 

PS: Faça-me o favor Sony, libere A Entrevista na net.


>

Tusk - Crítica


#Meu Melhor Amigo Morsa

Quando os créditos finais de Tusk subiram, eu não sabia muito bem como reagir. Não sabia o que pensar daquela insanidade toda. O filme foi dirigido e roteirizado pelo rei dos nerds Kevin Smith, e se trata de uma bagunça generalizada, que mistura horror, drama e comédia. É um clássico trash instantâneo, extremamente estranho que, mesmo com seus muitos defeitos, não será esquecido pela audiência jamais!

A história de Tusk narra a transformação animal do jovem Wallace Bryton (Justin Long). Ele é a metade de uma dupla de cretinos que ganha a vida com podcasts na internet. A base do humor dos caras é a trollação pesada, que até parece engraçada em certo momento, mas que no fundo todo mundo sabe que não é. Munido de uma falta de escrúpulos incrível, Wallace viaja ao Canadá para entrevistar um garoto que decepou a própria perna enquanto fazia um desses vídeos sem noção para o youtube. Mas ao chegar lá, as coisas começam a degringolar.



No intuito de fazer sua viagem valer, Wallace queria outra matéria sensacionalista. Depois de ler uma carta colada na parede do banheiro de um bar local, ele topa conhecer um velho, que prometia tremendas histórias sobre a vida, sobre o mar e por aí vai. Obviamente, o velho em questão era um maníaco, que depois de dopar o podcaster, inicia a mais bizarra tortura - pelo menos de que me recordo ter visto - em toda história do cinema. Jigsaw parece criança perto da falta de sentido e crueldade deste sênior algoz, autodenominado Howard Howe. É o estranho ator Michael Parks que empresta seu par de olhos assustadores para o refinado maluco.


Paralelo a isso, o roteiro monta uma trama de traição envolvendo a namorada de Wallace e seu amigo cretino. A bela Genesis Rodriguez interpreta Ally, enquanto Haley Joel Osment (vulgo, moleque do Sexto Sentido) interpreta Teddy Craft. Smith algumas vezes usa um tom mais sério para falar das tristezas da moçoila, que também era traída pelo namorado. Essa opção parece forçada, mas não chega a ser um problema, faz parte da bagunça. Seguindo na história, o casal de traíras, preocupados com o sumiço de Wallace, recebe a ajuda do hilário investigador francês Guy Lapointe, interpretado por Johnny Depp. Juntos eles vão a caça do velho sádico do mar e seu novo melhor amigo de dentes longos, Wallace.



O plote desses personagens paralelos rende alguns bons momentos. Eles possuem uma parcela considerável daqueles típicos diálogos de Smith, extensos e malucos. No entanto, o diretor não acerta na mosca com a conversa deles, e no fim, parece mais que o filme estava enrolando do querendo chegar em algum lugar. Obviamente o trio é indispensável para o desfecho, mas teve uma hora que o papo cansou. 

No entanto, talvez o fator que mais chame atenção da audiência seja a crueldade. Veja bem, toda a tortura de Tusk é completamente caricata, uma palhaçada, pra ser sincero. Mas a violência do contexto é muito forte. Smith fez de Wallace um cretino para demonstrar que a crueldade redimi qualquer um. É impossível não sentir pena do protagonista. A interpretação de Justin Long tem seus méritos, mas a ideia em torno de seu sofrimento é realmente perturbadora. Mesmo sendo tudo improvável, a simples concepção desta "transmutação operada" causa desconforto. É a bagunça de que falei, uma mistura de dó, repulsa e falta de noção. Recomendado, eu acho.

Tusk: 2014/ EUA / 102 min/ Direção: Kevin Smith/ Elenco: Justin Long, Michael Parks, Genesis Rodriguez, Haley Joel Osment, Johnny Depp, Harley Morenstein

Predestination - Crítica


#Sem Começo, Meio e Fim

Se a vida é um círculo, se nós realmente nos tornamos nossos pais, quem veio primeiro afinal, o pai ou o filho? A indagação pode parecer profunda, no entanto, os diretores e roteiristas irmãos, Michael e Peter Spierig, provavelmente desenvolveram Predestination a partir de outra pergunta não tão enigmática, que seria: "Qual é o roteiro mais bizarro que podemos criar dentro do tema "viagem no tempo'"?

Bem, Predestination é muito mais do que apenas um thriller bizarro. O filme é um sci-fi investigativo empolgante, cuja história que serve de alicerce fala de um incansável agente temporal, que persegue até sua última missão o terrorista conhecido apenas como Fizzle Bomber. As vésperas de sua aposentadoria, ele precisa também preparar um novato para o serviço, e de quebra, apagar seu rastro pelo tempo. Acredite, existe muita coisa por trás desta trama, e fica complicado tentar explicá-la sem revelar algum spoiler. Até mesmo os mínimos detalhes, que não são tão mínimos assim, fazem toda a diferença.




Como disse, a obra se utiliza de uma ideia central bastante bizarra, que é, acima de tudo, extremamente criativa. Como todo filme que fala de viagem no tempo, é provável que em certos momentos sua mente crie uma tentativa de racionalizar alguma inconsistência, que por sua vez pode ser refutada por determinado argumento do roteiro, que só depois você se lembra que foi citado, ou não... e por aí vai. O importante é que a tal ideia central é bastante original, uma espécie de maldição meticulosamente orquestrada, não pelo destino, mas pela falta dele.

Porém, o que pode causar maior estranheza na audiência é o fato de algumas regras morais e sociais fundamentais (sem dizer biológicas) serem quebradas pelos personagens com uma facilidade que vai muito além da razão. Em certa situação em particular (um encontro), acontecem coisas tão improváveis que, por serem improváveis, merecem o benefício da dúvida. O que quero dizer é que, pelo simples fato de saber que uma situação nunca vai acontecer, como diabos é possível dizer que determinado comportamento nunca iria ocorrer com alguém nessa situação... que nunca vai acontecer. Entendeu?




Tecnicamente o filme funciona muito bem. Tem ótimas ideias visuais e elabora algumas soluções inteligentes para driblar o orçamento enxuto. Certo descompasso surge vez ou outra, pois afinal, os diretores irmãos são basicamente iniciantes. Antes desse, eles dirigiram outra ficção competente sobre vampiros, chamada Daybreakers, primeira colaboração deles com Ethan Hawke, que é o nome que de fato promove Predestination. Além do bom trabalho do ator como o angustiado agente temporal, temos também uma grande surpresa no elenco, a jovem atriz Sarah Snook, que dá vida a personagem que pode ser chamada de "Mãe Solteira", embora seu nome seja Jane. 


Snook se revela uma profissional completa, versátil e focada na realização de seu trabalho. Sua Mãe Solteira é de longe a mais complexa e desafiadora da fita, diria até que é mais importante que o agente de Ethan Hawke, mas o certo é dizer que ambos possuem o mesmo valor dentro da trama. Recomendado.








Predestination: 2014/ Austrália / 97 min/ Direção: The Spierig Brothers/ Elenco: Ethan Hawke, Sarah Snook, Noah Taylor, Freya Stafford, Elise Jansen

The Babadook - Crítica


#O passado não pode ser esquecido

The Babadook é um suspense dramático que se arrasta por debaixo da pele da audiência. A produção australiana conta a história de Amelia e Samuel, mãe e filho que se veem perseguidos por uma presença sinistra, autodenominada Babadook. Vivendo como reclusos, os dois enfrentam seus maiores medos juntos, muitas vezes como aliados, outras como inimigos.


O filme é feito com esmero, e a diretora e roteirista Jennifer Kent consegue oferecer uma diferenciada experiência para o gênero. Na maior parte do tempo, a tensão criada pela trama é incômoda, pois a relação da mãe e do filho é tão desgastante que chega a ser perturbadora, e este é o reflexo perfeito do estado psicológico de ambos. No entanto, existe por trás dessas atitudes desesperadas, uma dramática história envolvendo o pai da família. Este evento trágico que moldou a personalidade dos dois, e que por ironia do destino possui data de celebração, é o catalisador do surgimento do temível Babadook.




E diante da centralização dos personagens, o filme nada seria sem o trabalho inspirado dos atores. O jovem talento Noah Wiseman, que interpreta o filho Samuel, é de uma espontaneidade incrível, e sua habilidade com cenas intensas é surpreendente. Já a experiente atriz Essie Davis encarna o literal sentido da palavra depressão. Sua Amelia aparece exausta e apática desde a primeira cena. Ela se arrasta pelo dia tentando, de maneira autêntica, manter-se sã, mas falha miseravelmente. Davis consegue nos fazer sentir pena de Amelia, mesmo quando a personagem empunha sua faca contra o filho. Um trabalho visceral.

Por fim, The Babadook é uma proposta de suspense completamente diferente, e por isso talvez não agrade o público mais acostumado com filmes populares do gênero. O mais interessante desta história é todo o clima lúdico criado em torno da caricata entidade do mal conjurada, que no final é apenas uma inteligente representação da fraqueza humana, que se bifurca por muitos caminhos, como o medo e a depressão. Após o bizarro e excelente desfecho, a mensagem que fica é: o passado não pode ser esquecido, acontecimentos traumáticos sempre farão parte de você. Porém, eles não precisam dominar sua vida. É possível conviver com o passado sem ser afetado por ele. Recomendado.








The Babadook: 2014/ EUA / 93 min/ Direção: Jennifer Kent/ Elenco: Essie Davis, Noah Wiseman, Daniel Hensall, Tiffany Lyndall-Knight, Cathy Adamek

Assista o Teaser Trailer de Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força



Agora a ficha está caindo. Star Wars: Episódio VII - O Despertar da Força traz J.J.Abrams como diretor, e estreia dia 18 de dezembro de 2015.

Hayao Miyazaki está Trabalhando em Mangá


Fãs órfãos de Hayao Miazaki agora tem um motivo para se alegrar. Aparentemente o famoso diretor japonês, responsável por clássicos da animação com o Studio Ghibli, não se aposentou por completo. Em uma recente entrevista para o L.A. Times, Miazaki disse que uma de suas atividades diárias, agora que está aposentado, é trabalhar em seu antigo hobby de produzir mangás. Ele disse:

"É algo que queria fazer quando era estudante. Trata-se de samurais do século 16, usando armaduras completas, lutando entre si. Eu estava muito insatisfeito com a maneira que aquela era foi retratada na ficção e no cinema, então queria desenhar algo que refletisse minha maneira de pensar sobre como esta era deveria parecer. O grande diretor Akira Kurosawa fez seus filmes em espaços amplos e abertos, como campos de golfe, e não havia esses espaços amplos e abertos no Japão"

De fato uma notícia animadora, que deixa os fãs com esperanças de pelo menos ver o texto do diretor adaptado para o cinema. Pois afinal, não é todo dia que o mestre do anime surrealista busca autenticidade histórica na era dos samurais.  

Queen + Zumbis = Musical de The Walking Dead



O canal do youtube The Hillywood Show publicou recentemente esta paródia intitulada simplesmente como The Walking Dead Parody. Ao som da emblemática Another One Bites the Dust, do Queen, eles transformaram o clima de horror da galera do Rick em um musical sanguinolento.Veja aí.