Livro reúne Trajes de Star Wars, A Trilogia Original



Livro reúne fotos e fatos sobre os famosos trajes e figurinos da Trilogia Original de Star Wars

Depois de Dressing a Galaxy: The Costumes of Star Wars (livro de 2005 que se focava na Trilogia Prequela de Stars Wars), foi lançado recentemente Star Wars Costumes: The Original Trilogy, que como o próprio nome revela, reúne um conteúdo massivo de fotos e fatos mais que interessantes sobre os trajes e figurinos confeccionados para a trilogia original de Star Wars, formada pelos filmes Uma Nova Esperança IV, O Império Contra-Ataca V e O Retorno de Jedi VI.


O acesso aos arquivos da Lucasfilm foi total, e o resultado compila mais de 200 fotos com detalhes nunca vistos antes, além de sketches, designs conceituais, notas de produção, fotos dos bastidores e entrevistas. É possível entender e visualizar melhor o processo de criação dos trajes de personagens como Darth Vader, R2-D2, C-3PO, Boba Fett, Yoda, os Jawas, os Ewoks, o biquíni metálico da Princesa Leia, os uniformes de batalha dos Stormtroopers, e por aí vai, a lista é extensa. 

O livro reúne também um profundo ponto de vista do tema ofertado pelos autores Brandom Alinger, John Mollo, Nilo Rodis-Jamero e Aggie Rodgers, todos profissionais que estiveram diretamente ligados na criação e manutenção dessas peças celebradas. Star Wars Costumes: The Original Trilogy foi lançado pela editora Chronicle Books, e não possui versão em português. Veja abaixo algumas fotos do livro, e também um vídeo que apresenta os bastidores de sua criação. Você pode adquirir o livro aqui.










Pixels Animados de Mad Max: Estrada da Fúria


O excelente trabalho em equipe do ilustrador Misha Petrick e do animador Mazok Pixels deu origem a esta série de gifs pixelizados de Mad Max: Estrada da Fúria.






Em breve serão liberadas mais imagens, fique atento. A página dos criadores é a Be Street.

Slow West - Crítica


Amor e Morte no Oeste

Por razões atípicas, Slow West é um faroeste único, começando por sua locação. Apesar da história se passar na América, o filme foi todo gravado na Nova Zelândia. A beleza das colinas verdes reluzentes do local cria um estranho e admirável palco para o gênero. 

Em segundo lugar, o elenco vem de todos os lugares possíveis do mundo, menos da América. O jovem ator Kodi Smit-McPhee é australiano, e interpreta o protagonista Jay Cavendish, que na trama é escocês. Já Michael Fassbender, que é teuto-irlandês (alemão e irlandês) dá vida ao cowboy Silas Selleck. Toda a equipe de apoio segue o mesmo padrão de nacionalidades errantes. Ainda sim, esta inexatidão funciona perfeitamente, e se torna algo especial dentro das rotineiras abordagens do tema.



Slow West apresenta como alicerce principal de sua trama o amor obstinado do personagem Jay pela jovem Rose, que fugiu da Europa para o oeste americano junto com o pai. Quase que insanamente decidido, o garoto parte em busca da amada, e durante o perigoso trajeto, encontra diferentes indivíduos locais, quase todos de intenções duvidosas. 

Logo no início, percebermos que este não é um bang-bang tradicional, pelo menos em termos de ação e aventura. A experiência é tranquila, mais dramática e cômica do que qualquer outra coisa. Obviamente existem tiroteios e vítimas, mas o peso das mortes destoa de padrões, por serem ironicamente banalizadas em alguns momentos, e carregadas de uma tristeza simbólica em outros. Ou seja, uma mistura muito bem medida que consegue emocionar e fazer rir quase que drasticamente.  

Apesar da simplicidade do enredo, o conceito narrativo é diferenciado, e explora de maneira romantizada, quase lúdica, o destino dos personagens. O humor de qualidade é a válvula de escape para temas mais sérios abordados, como o extermínio ignorante de índios naquele período, e até mesmo o ínfimo futuro de órfãos no velho oeste.



Slow West foi o primeiro longa-metragem do jovem diretor e roteirista escocês John Maclean. O cara esteve envolvido por um tempo com o grupo de música experimental The Beta Band, e agora se aventura de forma promissora pela sétima arte. Sua força autoral realmente impressiona, assim como sua atenção aos detalhes na hora da execução. Uma estreia memorável no ofício. 

Estas qualidades de Maclean, unidas àquele intrínseco amálgama de nacionalidades de que falei, fazem de Slow West um filme de muita personalidade, que até mesmo transcende o gênero faroeste. Ainda sim, esta é uma história clássica sobre homens perdidos, exaustos e revoltados, todos com armas nas mãos e mais nada a perder. Recomendado.



Slow West: Reino Unido, Nova Zelândia/ 2015/ 84 min/ Direção: John Maclean/ Elenco: Kodi Smit-McPhee, Michael Fassbender, Ben Mendelsohn, Caren Pistorius, Rory McCann

Chappie - Crítica


Produto Artificial

Depois de Distrito 9, o sul-africano Neil Blomkamp se tornou uma nova referência do sci-fi. Seu estilo documental, apoiado por efeitos especiais extremamente orgânicos e realistas, tomou audiências de assalto. Foi algo memorável para o gênero. 

Em seguida, o diretor lançou Elysium, que tinha a difícil missão de manter a qualidade autoral de seu trabalho anterior. Se tratando visivelmente de um filme enlatado pelo estúdio, o resultado dividiu opiniões, e mais que rapidamente demonstrou que Blomkamp é um ser humano passível de erros.


Pouco tempo depois veio o anúncio de Chappie, produção claramente intimista, de proposta inovadora, visual belíssimo, conceitos e protótipos muito bem definidos, orçamento enxuto, o que significa mais liberdade criativa para o autor, e por aí segue. Só que mesmo com esses denominadores apontando para um resultado positivo, isso não aconteceu. Chappie é ruim, basicamente uma tragédia, principalmente por desperdiçar seu enorme potencial.




A história apresenta a criação de uma inteligência artificial que se desenvolve como uma criança, que precisa ser guiada pela mão, ensinada. O chip que contém esta incrível e revolucionaria programação foi implantado em um robô de guerrilha qualquer, uma das muitas peças de um exército autômato, desenvolvido para lidar com a crescente violência urbana. Por ser único, Chappie (seu nome de batismo) se torna valioso. Para alguns ele vale o mesmo que um bom amigo, para outros nem tanto.


Como foi dito, a premissa é interessante, e até mesmo se assemelha com a de Distrito 9: uma entidade, por assim dizer, que se vê perdida em um ambiente completamente diferente e hostil, procurado por alguns, destratado por outros. O grande problema de Chappie, no entanto, é o vazio entre o começo e o fim. 




É triste perceber que a obra não possui nenhuma motivação cativante, e em muitos sentidos nem sequer coerente. Mesmo que a inaptidão do robô seja usada para explorar situações engraçadas, ou que denunciam diferenças sociais, existenciais..., mesmo assim, é absolutamente enfadonho acompanhar o crescimento desta criatura espetacular. Deveria ser exatamente o contrário, e isso decepciona ainda mais.

A escolha dos músicos Ninja e Yo-Landi como protagonistas ao lado de Chappie definitivamente não ajudou em nada. Blomkamp preza pelo realismo em seus filmes, mas forçar não atores a atuar não é realismo, é um erro. O uso de não atores precisa ser algo natural, senão tudo se perde, e pelo que se falou do comportamento de Ninja nos sets de filmagem, as gravações foram um verdeiro pé no saco.

Se a dupla tivesse menos tempo de tela (uma ou duas cenas, por exemplo), a participação seria mais positiva, talvez. Mas para isso a premissa teria de ser outra, como por exemplo, Chappie tentar se virar sozinho no mundo (por que não, né?), ao invés de ser criado por gângsters, aprender valores problemáticos, desaprender valores problemáticos, gerar situações politicamente incorretas e não tão engraçadas.




A sensação de desconforto e descompasso com as atuações se estende também para os coadjuvantes e ironicamente para os astros hollywoodianos da fita. O britânico Dev Patel interpreta o engenheiro Deon Wilson, que basicamente é uma definição grosseira de um cientista bonzinho tentando ser uma espécie de antropólogo moderno de final de semana. A personagem de Sigourney Weaver basicamente não tem relevância nenhuma. E o engenheiro militar, jarhead, Vincent Moore, vivido por Hugh Jackman, é talvez o pior e mais desnecessário vilão dos últimos tempos, muito disso por sua escolha de corte de cabelo. Já Sharlto Copley é Chappie, e ele manda bem.

No final, a experiência é estranha e decepcionante. O filme oferece um poder estético embasbacante, mas quem procura algo mais significativo, notará as inúmeras fraquezas. Chappie não possui identidade, é apenas um produto artificial cheio de boas intenções, mas que não convence ninguém. Não Recomendado.
  
PS: Ainda quero acreditar que o novo Alien será a redenção de Blomkamp.



Chappie: EUA, México/ 2015 / 120 min/ Direção: Neil Blomkamp/ Elenco: Sharlto Copley, Dev Patel, Hugh Jackman, Ninja, Yo-Landi Visser, Sigourney Weaver

Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência


"Fico feliz de saber que está bem"

(Antes de tudo, este é talvez o melhor título de todos os tempos, não acha?) Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência é a terceira parte da trilogia existencial do diretor sueco Roy Anderson. O filme segue um ritmo semelhante de seus antecessores (Canções do Segundo Andar e Vocês, os Vivos), e com uma incomparável narrativa, consegue explorar toda a complexidade da vida, suas tristezas e alegrias, medos e dependências.

O roteiro é dividido em diversos episódios erráticos, que em alguns casos são interligados, em outros apenas ocasionalmente se cruzam. Dois parceiros vendedores de artigos humorísticos (como máscaras e dentaduras de vampiros), rotineiramente tem sua relação explorada dentro destes episódios, mas não existem protagonistas na obra de Anderson, as coisas não funcionam dessa maneira.




Capturadas quase sempre sem cortes, as pequenas estórias são basicamente cenas teatrais, coreografadas e encenadas como numa peça. Atores carregam seus rostos e mãos com uma pesada maquiagem branca, o que lhes dá um aspecto cadavérico. É um expressionismo moderno que, de maneira completamente peculiar, navega por humores lúdicos e dramas existenciais profundos, muitas vezes depressivos e sem esperança.

Esta transição de humor e drama acontece drasticamente, e da estranheza nasce a genialidade autoral e técnica do trabalho. Um Pombo Pousou... oferece principalmente liberdade para audiência, por ser completamente subjetivo. A fotografia fria, de enquadramento sempre centralizado, juntamente com uma cenografia detalhista, faz com que visualmente o trabalho agrade aos olhos, por mais estéreis que as locações pareçam. 



Em determinada cena, logo no início, um velho gordo abre uma garrafa de vinho, enche um copo... e bebe lentamente. Sua expressão corporal exagerada, estranhamente mórbida, gera desconforto, e isso é, de alguma forma descalibrada, uma situação bem engraçada. Logo em seguida ele leva a mão ao peito, se joga contra a parede e cai no chão desfalecido, vítima de um provável infarto. O realismo da morte é perturbador, deprimente, e segundos antes você estava rindo da mera existência do personagem.

Enfim, é impossível descrever com fidelidade a real sensação de assistir Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência. É preciso ver para crer.
 Como o próprio diretor divagou, do alto do galho, o pombo reflete sobre nossa existência, imaginando o que diabos estamos fazendo aqui embaixo, na terra dos homens. Basicamente, a ideia (e questão) principal do filme é essa. Recomendado.






Um Pombo Pousou num Galho Refletindo sobre a Existência/ A Pigeon Sat on a Branch Reflecting on Existence/ En duva satt på en gren och funderade på tillvaron: Suécia, Alemanha, Noruega, França/ 2014 / 101 min/ Direção: Roy Anderson/ Elenco: Holgar Andersson, Nils Westblom, Charlotta Larsson, Viktor Gyllenberg

Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros


Velhos instintos, novas atrações

Após mais de 20 anos do lançamento de Jurassic Park, as coisas não mudaram muito em Jurassic World. Isso é muito bom por um lado, nem tanto por outro. Quem iria adivinhar que mesmo depois de tantas tragédias temáticas, os humanos continuariam gananciosos e descuidados quando o assunto é fazer dinheiro com dinossauros requentados em laboratórios? Jurassic World ainda tenta estabelecer algumas novas ideias para esta fantasiosa realidade alternativa, ideias estas que até fazem sentido, como por exemplo, um público alvo que já não se surpreende mais com Tricerátopos ou Tiranossauros Rex, que exige mais ação como entretenimento. Presas maiores e mais brilhantes. De qualquer maneira, tudo continua um grande e divertido absurdo.

No final, o que a franquia oferta, primordialmente, são dinossauros caçando humanos, e para chegar nisso, diretores e roteiristas inventariam qualquer coisa. Dessa vez inventaram uma nova espécie, o Indominus Rex, um híbrido de raças altamente inteligente e letal, que poderia muito bem trazer o logo da Coca-Cola ou Mercedes-Benz gravado na testa. Por trás de sua criação existem motivações diversificadas, impulsionadas por um capitalismo selvagem absurdo, basicamente insano.




Toda essa falta de noção é tradicional, pois afinal, são dinossauros caçando humanos. O que realmente faz a experiência valer é a sensação predatória. Para isso funcionar, são necessárias cobaias carismáticas, pela quais possamos torcer. Nestes dois quesitos, Jurassic World acerta como nunca. Toda a mistificação da inteligência e habilidades incomparáveis de Indominus, constrói uma base sólida de tensão para o público. O suspense da caça é exato, e emula uma ambientação bem semelhante ao do filme Predador, por exemplo. Já a escalação da dupla Chris Pratt e Bryce Dallas como protagonistas não poderia ser mais acertada. O filme está batendo recordes absurdos de bilheteria por causa dos dois, e todo o alvoroço parece justificado, pois ambos são ótimos profissionais do cinemão pipoca.

Na história, Pratt interpreta Owen, um treinador de raptors extremamente badass. Assim como em Guardiões da Galáxia, a veia cômica do ator se mistura com perfeição ao gênero de aventura e ação. Tamanha foi a aceitação do cara, que o fãs já o canonizaram como novo Indiana Jones. Porém, quem rouba a cena é Bryce Dallas no papel de Claire, uma das principais responsáveis pela administração do parque. A personagem, de personalidade austera e metódica, passa por uma transformação meteórica quando descobre que seus sobrinhos se perderam no caminho do fugitivo Indominus Rex. Por mais abrupta que seja essa mudança, é a naturalidade e talento de Dallas que tornam tudo mais cativante e engraçado. Ela nem mesmo desce do salto pra correr dos bichos.



  
Enquanto isso, na sala de controle, a equipe de suporte, formada resumidamente pelos ótimos atores Jake Johnson e Lauren Lapkus, consegue prover bons momentos dramáticos, que servem para humanizar os acontecimentos trágicos ao redor, e também oferecem humor de qualidade, quando se aproveitam de uma química de casal disfuncional. 

Como de costume, a produção é tecnicamente deslumbrante, seja pelo uso indiscriminado de efeitos especiais ou pela integração (sempre bem-vinda) de animatronics incríveis. Uma das opções mais ousadas e interessantes de Jurassic World foi seu requinte de crueldade em termos de violência. Existe um nível de sadismo bem satisfatório por parte dos criadores. A releitura da trilha sonora, orquestrada pelo experiente Michael Giacchino, também se faz notar. Arranjos de piano tornam o tema clássico de John Willians em algo pesado, carregado de perigo. Uma adaptação criativa e perspicaz.




A direção do improvável Colin Trevorrow (que tem no currículo o indie Sem Segurança Nenhuma) agrega diferentes e interessantes valores para o trabalho. Já na primeira cena do filme, que detalha de maneira simétrica o nascimento de Indominus, notamos sua preocupação com o funcionamento ideal da tomada, e isso se torna uma constante. Nem sempre tudo sai como planejado, afinal, existem sim fraquezas estruturais no roteiro que atrapalham, mas no geral a condução é bem eficiente.


Enfim, Jurassic World não se importa de ser mais um na franquia iniciada por Steven Spielberg, e de maneira honesta, se torna tão importante quanto o primeiro. Cheio de referências e easters eggs, a fita é um prato cheio para aqueles que alucinaram com o original, e também para novas audiências. A receita infalível de não poupar nenhuma despesa continua firme e forte, e mesmo com problemas, o filme é Recomendado.




Jurrasic World: O Mundo dos Dinossauros/ Jurassic World: EUA, China/ 2015 / 124 min/ Direção: Colin Trevorrow/ Elenco: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Irrfan Khan, Vincent D'Onofrio, Ty Simpkins, Nick Robinson, Jake Johnson, Omar Sy, BD Wong, Judy Greer, Lauren Lapkus

Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman The Secret Service)


Esnobes também sabem chutar bundas

A proposta primordial de Kingsman: Serviço Secreto é apresentar os heróis mais pomposos do cinema de ação. Nem mesmo James Bond é tão gentleman como os espiões dessa organização extremamente rica, que batiza seus integrantes com codinomes de famosos cavaleiros ingleses, como Lancelot, Galahad... enfim, "Homens do Rei". 


O filme foi dirigido pelo competente Matthew Vaugh, que misturou na receita alguns elementos de seus trabalhos anteriores, Kick-Ass: Quebrando Tudo e X-Men: Primeira Classe. Só que apesar do arrojo visual incrível elaborado para a fita, o resultado final, podemos educadamente dizer, é um tanto quanto deselegante, o que não chega a arruinar a experiência, mas meio que decepciona.




A história apresenta o caminho de amadurecimento do jovem Eggsy, que herdou do pai (ex-Lancelot) as habilidades necessárias para se tornar um Kingsman. Apadrinhado pelo honrado agente Galahad, o garoto precisará vencer um rígido processo de seleção para se tornar membro da organização. Além de arriscar sua vida, ele sofrerá também com estigmas sociais, devido sua origem simples, que é ofensiva aos jovens otários esnobes ingleses, que disputam a vaga com ele. 


Paralelamente a isso, o mogul da comunicação, conhecido apenas como Valentine, coloca em prática um plano para salvar a Terra de sua degradação ambiental sem precedentes. O cara é um ativista consciente, e em seu ponto de vista (um tanto quanto genocida), a raça humana é o câncer que está destruindo o planeta, e ele é cura para isso.


Kingsman: Serviço Secreto é vagamente baseado na HQ de Mark Millar e Dave Gibbons, intitulada apenas The Secret Service. Isso por que, além de mudar o nome, a adaptação faz diversas alterações na história original, preservando apenas o conceito principal da trama, que traz Eggsy e a absurda organização cheia de regras de etiqueta e agentes arrasadoramente mortais. Depois de Kick-Ass, essa é a segunda colaboração de Vaugh e Millar.



Pois bem, o grande problema de Kingsman: Serviço Secreto é a falta de empatia da história. Isso acontece, principalmente, porque roteiro e narrativa não conseguem desenvolver um tratamento natural para trama, e tudo acaba meio que mastigado demais em determinadas frentes. Galahad, por exemplo, é um grande personagem, que instiga nossa atenção, em contrapartida, o desenvolvimento de Eggsy e seus amigos soa artificial, esquemático. 


O treinamento retratado, que envolve afogamentos e pulos suicidas de paraquedas, tenta nos convencer que o pupilo é um cara honesto, dedicado e capaz, mas isso todo mundo já sabe desde sua primeira cena. Não existe espaço para dúvida nesta questão, não existe a sensação de evolução de Eggsy, não temos uma valorização eficaz de suas conquistas e habilidades. Enfim, todo esse processo de treinamento, que basicamente é a espinha dorsal do filme, parece um exagero desnecessário.



Sendo assim, as coisas se arrastam em termos de ritmo. A fita se mostra pouco convincente diante da transmutação de Eggsy, e pouco enfática com seus dramas, pois o humor negro utilizado anula qualquer tentativa verdadeira de emocionar em momentos específicos. 

Novamente, paralelamente e ocasionalmente, vemos os planos do vilão, que são tratados com pouca atenção durante os primeiros atos, o que reforça a impressão de que os mesmos são uma finalidade que justificam os meios dos heróis. No entanto, a resolução do maligno Valentine e sua escudeira assassina Gazelle, acaba sendo satisfatória, o que redime alguns pecados.


E balanceando os problemas, temos a condução técnica infalível de Vaugh. A edição e montagem do filme são impecáveis, e valorizam de forma extraordinária os aspectos visuais da produção. Desde os créditos iniciais, somos bombardeados por efeitos especiais sensacionais e sempre muito bem utilizados.



E o que Kingsman: Serviço Secreto na verdade deixa para posterioridade são duas sequências de ação insanamente maneiras, envolvendo um intenso combate dentro de uma igreja e a obliteração de globos humanos cadenciada por música clássica. O filme faz questão de ser gore, o que é muito legal, e contrasta bastante com a pompa de seus protagonistas. Brutal e bem apanhado.

O elenco também soma pontos positivos. Como destaques temos: o ator inglês Colin Firth com seu Galahad, chutando bundas como nunca (um ator experiente se divertindo e dando porrada), o americano Samuel L. Jackson é o hilário vilão de língua presa Valentine, Mark Strong é um relevante apoio com o frio e calculista Merlin, Michael Caine eleva o nível de requinte com o fatalista Arthur, Sofia Boutella chama atenção com Gazelle, matadora ao melhor estilo Oscar Pistorius, e por fim, Taron Egerton, jovem revelação que interpreta o protagonista Eggsy.


Resumindo, Kingsman: Serviço Secreto oferece sequências visualmente embasbacantes, que praticamente valem pelo filme todo. O desfecho da história é forte o suficiente para se fazer lembrar, e o elenco escalado é de primeira linha. É exatamente por estes pontos positivos que se torna decepcionante ver um desenvolvimento de trama tão quebrado. Ainda sim, pra quem curte humor, ação e muita violência, a fita é recomendada.


Curiosidade: uma ótima referência do filme ao quadrinho é a participação do ator Mark Hamill (vulgo Luke Skywalker), que aparece na HQ como ele mesmo, e no filme participa interpretando outro personagem, de propósito semelhante ao dele na HQ.



Kingsman: Serviço Secreto/ Kingsman The Secret Service: Reino Unido/ 2014 / 129 min/ Direção: Matthew Vaughn/ Elenco: Colin Firth, Mark Strong, Jack Davenport, Mark Hamill, Sofia Boutella, Samuel L. Jackson, Michael Caine, Taron Egerton, Sophie Cookson

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