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Eu demorei um tempão pra assistir essa terceira temporada de Black Mirror porque, na real, estava numa onda de preguiça extrema para acompanhar séries, filmes e qualquer outra coisa que exigisse muito tempo da minha atenção. Não foram tempos fáceis para quem sofre de ansiedade, mas as coisas melhoraram desde então e, nessas minhas férias, resolvi dedicar uma tarde inteira para assistir aos seis episódios do seriado. E o que eu tenho a dizer é: do caralho. 

Encerro meu post aqui, bjs. 

Aloka rs 

Eu resolvi me despir de qualquer compromisso anti-spoiler, e resolvi comentar episódio por episódio com as minhas impressões sobre. Se você não entendeu, aviso: CONTÉM MUITOS SPOILERS.

EPISÓDIO 1: NOSEDIVE

Nosedive é o episódio que eu mais curti e mais odiei ao mesmo tempo. Eu amei porque a estética e a narrativa foram impecáveis, na minha opinião. Eu amo a personagem da Bryce Dallas Howard, da trajetória dela durante o episódio e como ela termina no final. O que eu odeio nesse episódio é o quanto ele é parecido com a nossa realidade, só que, claro, num nível muito exacerbado de como curtidas tem importância no mundo real. Ele parece muito longe do que vivemos, mas, falando sério, o quão longe realmente é? 

Minha parte favorita é quando ela se liberta e fala todas as merdas e palavrões que tem vontade, dando um foda-se para sua pontuação que vai lá pro ralo. Diva rs

 

EPISÓDIO 2: PLAYTEST

Eu adoro um bom filme de terror – ruins também -, então esse episódio veio muito bem. Eu simplesmente AMEI, e posso dizer que foi meu favorito. Os plot twists que tem nele me deixaram boquiaberta, e apesar de não achar que tem tanta reflexão assim embutida, eu adorei e fiquei com um baita medo de imaginar um futuro com jogos de realidade virtual tão reais. rs

EPISÓDIO 3: SHUT UP AND DANCE

Esse não é um episódio feito pra dar medo, mas me deixou de cabelos em pé. Toda a questão de ameaças de revelar segredos horríveis e a pessoa ficar à mercê de alguém parece muito tenebroso pra mim, mas o final me fez ficar extremamente pensativa e me questionar o quão vilão e mocinho cada um desse episódio realmente era. E o quão tênue é essa linha na vida real, ainda que num nível bem menos agressivo. É aquele lance de que toda história tem dois lados. E aquele lance também de fazer justiça com as próprias mãos. O quão justo ou injusto isso pode ser?

 

EPISÓDIO 4: SAN JUNIPERO

O famigerado episódio San Junipero, aquele que fez a cabeça de todo mundo e foi muito falado nas redes sociais… Foi ele mesmo que no começo achei chato pacaraio. Eu não curti a Yorkie (Mackenzie Davis), só a Kelly (Gugu Mbatha-Raw) apesar de achar mega clichêzona, e já estava cogitando a idéia de passar pro próximo episódio quando, boom, o primeiro plot twist acontece. Quando Yorkie começa a mudar as décadas para encontrar Kelly na mesma cidade, o episódio finalmente me ganhou e foi só aí que deu pra entender a tecnologia que fazia ser um episódio de Black Mirror e não de uma série qualquer. O segundo plot twist foi demais também, melhor até que o primeiro, e apesar do final ser previsível, foi merecido. Não tem como terminar o episódio sem amar as duas. <3

 

EPISÓDIO 5: MEN AGAINST FIRE

Foi o que achei mais chato na maior parte do tempo, mas valeu demais pela cena final. Infelizmente tem que assistir inteiro pra conseguir entender e ter a reação de “wtf” com o plot twist. Se não fosse isso, eu podia garantir que os 45 primeiros minutos eram descartáveis. rs

 

 

EPISÓDIO 6: HATED IN THE NATION

Eu adoro um bom crime, então esse é outro episódio que caiu como uma luva. Ódio e linchamento online também são questões muito presentes nos dias de hoje e que me fazem me questionar o quão justo pode ser qualquer um dos dois. Ainda não cheguei à uma conclusão. 

A primeiro momento achei que o caso seria solucionado de uma forma previsível, mas graças aos bons roteiristas do seriado, eu me enganei. Mesmo achando o lance das abelhas eletrônicas pífio, eu adorei o desenrolar da trama, e ver a Kelly Macdonald atuando, depois de vê-la só uma vez há anos, em Trainspotting, foi um prazer. 

 

VEREDICTO

Melhor episódio: Nosedive

Pior episódio: Men Against Fire

Episódio mais fofo: San Junipero

Meu episódio preferido because of reasons: Playtest

E vocês? O que acharam da terceira temporada de Black Mirror? Qual foi seu preferido? Me conta! 

Vamos combinar: a gente já conhece muito bem os roteiros dos filmes de heróis. A sinopse é mais ou menos a mesma em 98% deles e não vou exemplificar aqui senão podem reclamar de spoiler. De qualquer forma, já sabemos mais ou menos a ordem dos fatos nessas histórias. Mas, se é mais do mesmo, porque então eu gostei tanto de Mulher-Maravilha?

Como uma criança dos anos 70/80, a Mulher-Maravilha era minha referência de Super-Heroína, e cresci com a série de TV. Adicionando o fato de eu ser aficcionada por mitologia grega desde sempre, eu sempre tive essa paixão pela Princesa das Amazonas. Confesso que nem tinha expectativas por um filme da MM porque não queria que estragassem minha personagem favorita. Nem acompanhei muito o processo de produção, achava a Gal Gadot muito magra. Mas aí chegou o hype. E com ele eu vi que escolheram minha origem favorita pra eternizar na primeira versão no cinema!

 

O filme mostra a toda a origem das Amazonas e porque elas foram parar em Themyscira. Filha da Rainha Hipólita (Connie Nielsen), Diana tem o desejo de treinar como as fortes guerreiras mesmo contra a vontade da mãe. Com determinação e curiosidade ela acaba driblando a Rainha e aprende tudo com a tia, Antíope, vivida pela atriz Robin Wright que, como todo mundo já disse, está MARAVILHOSA.

As cenas em Themyscira são incríveis, tudo o que eu sempre sonhei. Uma ilha cheia de cachoeiras, escondida dos homens, com uma arena onde as Amazonas treinam. Ver aquelas mulheres fortes (no sentido literal da palavra) me levou às lágrimas. A coreografia do treino e das Amazonas em batalha é uma coisa fora do normal, de uma plasticidade emocionante.

A pequena Diana cresce ouvindo histórias dos Deuses e quando já é uma jovem mulher vê um homem pela primeira vez, Steve Trevor (Chris Pine), que acaba cruzando o portal e encontra Themiscyra. A partir daí começa a construção da Mulher-Maravilha. O filme é muito claro ao colocar desde o início o

tom de origem e mostrando pouco a pouco as sensações de Diana. Ela começa sem saber quem é e vai descobrindo seu poder. É uma menina inocente que vivia em sua bolha e não sabia nada do mundo. Que conhece a humanidade e fica tocada. Que com suas características femininas resolve que vai ajudar as pessoas que sofrem.

O filme mostra essa evolução, que ocorre antes do ponto em que a vemos em Batman VS Superman, mostra um personagem mais complexo que as versões cinematográficas dos outros, uma mulher completa: forte e habilidosa sim, mas também ingênua, sensível, humilde, sem medo de aprender.

Achei o filme com um roteiro sólido, que não se perde, como outros filmes da DC, e com um visual MARA. Cenas icônicas, como a Mulher Maravilha segurando chumbo grosso com o escudo me fizeram ficar pulando na poltrona que nem uma doida.

Maaaaaas, não canso em insistir que não é um filme para crianças pequenas. Eu sei que tem Mulher-Maravilha em calcinhas e fraldas, mas a gente tem que ficar atenta com esse tipo de coisa. Mulher-Maravilha se passa na Primeira Guerra Mundial e ela vai para o front. Apesar de não ter sangue, tem violência contra seres-humanos, tem criança chorando em meio a tiros, e outras cenas típicas de guerras.

Abra o coração e vá ver Mulher-Maravilha com pipoca e lencinho nas mãos. Depois me conta.

Classificação: Não recomendado para crianças menos que 12 anos.

Classificação PAC MÃE: Concordamos com a Classificação oficial. Cenas fortes de guerra. Melhor deixar as crianças com menos de 12 anos em casa dessa vez!

A confusão de ser adulto e Empire Records

A primeira vez que assisti Empire Records foi quando ainda era criança. Passava na Record, depois Band, e ainda tinha o nome de Império dos Discos, em vez da terrível tradução do título que permanece até hoje, “Sexo, Rock e Confusão”. Naquela época eu adorava o fato de vários personagens existirem e terem sua parte do spotlight da história. Adorava o fato deles poderem colocar a música que quisessem pra tocar enquanto trabalhavam, de terem tanta variedade assim de sons, de serem todos amigos – ou inimigos – e da vida deles ter tanta coisa acontecendo. Naquela época, meu sonho era trabalhar numa loja de discos, porque eu tinha certeza que se isso acontecesse, eu teria um dia-a-dia tão interessante quanto o da personagem da Liv Tyler e da Renee Zellweger. 

Depois de uns anos, eu comecei a enxergar a complexidade de toda a história. Sabe, pra eles, aquilo tudo não era tão divertido assim: uma personagem era taxada de piranha só porque tinha uma vida sexual ativa, a outra tomava inibidor de fome porque achava que precisava emagrecer; o outro cara tinha um amor não correspondido pela colega de trabalho, e ainda tinha a Debra, que tinha tentado se matar um dia antes do que acontecia toda a história. O quão divertido pode ser isso?! vomo

Hoje, aos meus 24 anos, eu consigo achar tudo isso e ainda ter a percepção de que Empire Records é uma mistura louca de toda a confusão de ser adulto. Eu ainda acredito que deve ser demais trabalhar numa loja de discos, e uma das minhas grandes vontades na vida é ter uma pra chamar de minha. Mas o que mais me sobressalta é como todo mundo ali, sem excessões, está bem confuso sobre sua própria vida.

O personagem que hoje eu sei porquê gosto tanto é o Lucas (Rory Cochrane). O Lucas é o personagem cuja a vida tá numa boa e ele só tem uma responsabilidade básica, que é fechar a loja com segurança. Aí então aparece um problema que ele tem certeza que consegue resolver. Não consegue. Aí ele acha que consegue resolver o problema maior ainda que causou… Mas não consegue. Não consegue, e admite sua fraqueza – e que naquele tempo inteiro, ele não sabia é de nada. E é quando ele finalmente admite que não sabe de nada, que ele recebe ajuda, e finalmente consegue resolver o tal problema. 

né nom?

Não sei vocês, mas isso me parece o mais perto do que é a confusão de ser adulto, de achar que consegue, mesmo sem conseguir, e finalmente entender que precisa de ajuda, sim. Que a gente não vira adulto e entende tudo o que precisa fazer. Tudo o que é certo, errado, e que na real, na real mesmo, não existe muito disso nas nossas escolhas. É mais o que é bom, o que é ruim, e o que é indiferente – e a gente, pouco a pouco, aprende um pouco como isso funciona. Só um pouco. Porque ser adulto é perceber que até nossos pais estão perdidassos nessa coisa louca chamada vida. 

Eu acho que Empire Records tem camadas tão complexas sobre o que é a vida, que depois de mais de 20 anos assistindo e reassistindo esse filme, eu não cheguei a conclusão de todas elas. Mas hoje, aos meus 24 anos, essa é a que mais se parece com a minha vida hoje. Com o quão confusa é a vida, e com o quão difícil é chegar à decisão mais coerente. 

Encerro essa reflexão falando: se você nunca assistiu, não deixa 2016 acabar sem ter visto. Esse filme tá aí, desde 1995, esperando pra que você o veja. Vai!

Todo mundo já sabe que Star Wars é para todas as idades. Afinal, a ficção científica é apenas um pano de fundo para a história onde a fantasia o humor e a aventura tomam conta do pedaço. Mas, no geral, as crianças apenas curtem os filmes e os personagens de forma superficial ou usam os produtos e brinquedos lançados.

O que talvez muitos pais não tenham pensado ainda é que, além de toda a diversão, existem diversos ensinamentos, filosofias e mensagens super bacanas que podem (e devem) ser transmitidas aos pequenos. Duvidam?

Então confiram essa lista de 5 itens da saga que cada família pode aplicar da forma que achar mais adequada aos seus próprios valores e crenças:

1 – A Força: a Força pode ser explicada de várias formas, desde um jeito mais científico até um mais religioso. A explicação sobre a Força em Star Wars é que ela seria uma espécie de campo energético onipresente, que permeia tudo que é vivo e move tudo no Universo, mantendo tudo como é.

Os Jedi/Sith seriam os seres que usam a Força com mais intensidade, uma habilidade que nem todos possuem nesse grau. Para as crianças essa é uma forma bacana de criar empoderamento, principalmente em situações de medo ou insegurança, onde ela se concentraria e “usaria a Força”. Assim, ela estaria mais confiante e protegida.

É uma boa técnica pra usar, por exemplo, após um pesadelo noturno, em provas esportivas ou escritas, onde a criança exerce seu poder de concentração para manter a calma.

Lado negro da Força: ensinar que sentir raiva, medo, entre outros sentimentos ruins, atrai o lado negro da força e que isso não é legal, porque traz tristeza e sofrimento. É uma boa forma de chamar a atenção dos filhos quando ele estiverem naquele momento “socorro, que bagunça é essa” no quarto, mostrando o “desequilíbrio” que isso traz ao ambiente (hehe).

Ou então que os acessos de raiva não vão levá-lo a lugar algum. Lembram das birras de Kylo Ren no Ep. VII? Adiantou alguma coisa? Não, né? Só ajudou a quebrar um painel da nave e espantar seus próprios guardas. =p

Lado iluminado da Força: os bons sentimentos como honestidade, amizade, companheirismo, altruísmo, etc., são valores importantes dos Jedi para os filhos. Quanto mais eles obedecerem, cumprirem com as próprias responsabilidades, serem gentis, educados e amigos, mais fortes e Jedi eles serão. Imaginem como eles se sentirão importantes com esse elogio!

2 – Consequência dos próprios atos – Anakin e suas más escolhas: Anakin, assim como Kylo Ren (tá no sangue!) fez escolhas bem ruins que o levaram ao lado negro da Força. Por mais que o vilão Darth Vader seja amado pelas crianças a história por trás do icônico personagem mostra que esse não era o verdadeiro caminho que ele deveria seguir.

Os vilões sempre “perdem” no final, então é legal mostrar o quanto é importante tomar cuidado com as escolhas que fazemos e principalmente os motivos que levam a essas escolhas. O papo pode ser mais ou menos complexo, dependendo da idade da criança, claro.

Um exemplo: Anakin era especialista em desobedecer seu mestre Obi Wan, principalmente no Episódio II, e já criou problemas por causa disso, colocando em risco inclusive a vida deles. Em um momento do Ep. II, Obi Wan pede que Anakin não vá atrás dele e ele desobedece, fazendo com que ambos fossem presos e também a pobre Padmé.

Uma outra ideia é criar histórias fictícias para os pequenos, em cima desse personagem tão “malcriado”. As crianças podem ouvir histórias de quando Anakin ainda era criança e pegou um sabre de luz pra brincar sem autorização e acabou quebrando um vaso super importante do Yoda, porque era da mãe dele (hihihi). =p

3- Aliança Rebelde – onde a rebeldia pode ser aplicada de forma saudável: a rebeldia tem um lado bom, desde que bem dosada. Lembram de como os pilotos rebeldes trabalham fortemente em equipe? No episódio IV e em Rogue One existem cenas lindas mostrando isso.

É ótimo para ser usado dentro de casa, em várias situações, até mesmo em “missões pra arrumar o quarto”, onde cada filho fica responsável por um “setor” especial. Na escola, se um amiguinho estiver precisando de ajuda, as crianças podem ser estimuladas a criarem uma “força-tarefa” para ajudá-lo.

Rebeldes não ficam de cabeça baixa. Crianças que sofrem algum tipo de injustiça ou situação de bullying não podem ficar sem fazer nada. Elas precisam acionar seus superiores: pais e professores e claro, jamais brigar com ninguém ou devolver na mesma moeda. Mais uma dica pra estimular o empoderamento nos pequenos e também defender os amigos na galáxia! =)

4- Tudo bem gostar de castelos, mas meninas também podem gostar de naves: aqui vamos entrar um pouco na questão do feminismo e também no sexismo que ainda existe de maneira muito forte na nossa cultura. Meninas podem gostar de castelos? Claro! Podem ser Princesas? Claro! Mas que o universo delas não seja forçado a ter somente isso.

Em Star Wars, por exemplo, temos mulheres pilotando naves rebeldes, uma aspirante a Jedi que pilota a Millenium Falcon e usa um sabre de luz e uma Princesa que vira Rebelde e depois General da Resistência. 😉

5 – Aprendizados do Yoda: acredite em si e tenha paciência: “Tamanho não importa. Olhe para mim, você me julga pelo tamanho?” – os maiores valores que Yoda pode ensinar para os pequenos são a confiança em si próprio e o otimismo no sentido de se acreditar que é possível.

Temos várias cenas no episódio V que mostram Yoda treinando Luke e mostrando a ele que o mais importante é ter auto-conhecimento, paciência, perseverança e acreditar em si próprio para se alcançar a evolução que se quer.

Outro valor bacana é quando Luke desconfia do poder de Yoda, por ele ser “pequeno e esquisito”, mas Yoda mostra todo seu poder e passa a lição de que não devemos julgar um livro pela capa. Isso para crianças é uma ótima ferramenta para conversar sobre preconceito e discriminação.

Luke: “Mas eu não acredito!”

         Yoda: “É por isso que você fracassa!”

Nem precisamos falar muita coisa sobre esse diálogo do episódio IV. Ele já diz tudo: precisamos criar nossos filhos para que eles acreditem em seus potenciais.

Que a Força esteja conosco!

Neste terceiro filme da série Batman, Christopher Nolan garante um desfecho épico, com direto a redenção e uma horda de fãs deixando o cinema empolgados. Vale o preço de uma inteira? Hum, satisfação pra mim só acontece nos trechos em que Anne Hathaway dá as caras. Anne encarna o símbolo de independência e não-submissão feminina com tiradas cáusticas e é uma maravilha vê-la exibindo as curvas naquele colant negro. Quando se curva então para pilotar aquela moto do morcego, vixe!
Nolan não consegue esconder a pressão de superar o capítulo anterior. Sua direção é tensa. Falta-lhe agilidade para ligar as muitas pontas soltas das suas várias histórias cruzadas. Na prática, deparamos com um drama típico deste tipo de “franchises”: mesmo quando integram cineastas de indiscutível talento, há nelas um “caderno de encargos” que contraria a fruição das emoções que colocam em jogo. Afinal de contas, o trabalho de Nolan é todo pontuado por este pressentimento, estranhamente sensual, de que o mundo pode-se desagregar a qualquer momento (de Memento ao festejado “A Origem” o foco é sempre este).

Cavaleiro das Trevas

Mas aqui há algo que não combina bem na transição para um cenário quase real de um herói tão estilizado como Batman. Gotham City facilmente poderia ser uma Chicago ou Nova York e toda a teia de intrigas políticas, econômicas e sociais tem paralelismos com a atual conjuntura. A escala do filme é enorme, tanto em termos visuais como de narrativa e é exatamente aí que a coisa desanda: a ênfase é colocada nos problemas da cidade, o que acaba por fazer com que o herói pareça destoado no meio de tudo isto; a certa altura já não estamos num filme do Batman, mas num policial recheado de heróis e vilões normais: neste filme, mais do que nos outros, a cidade surge como a personagem principal.
No fundo, a visão de Nolan é demasiado séria para o seu próprio bem. Como é que se pode abordar as maquinações da Bolsa de Valores, a riqueza ilícita, o capitalismo desenfreado e a corrupção das instituições e a seguir inserir um contexto tão maniqueísta com um vigilante mascarado repleto de gadgets hi-tech e um bandido que parece saída da arena de Gladiador?
Talvez seja uma forma de confortar as audiências, mostrando uma clarificação do bem e do mal. Coisa que soube evitar de forma inteligente em “O Cavaleiro das Trevas”, mas nesse aqui não teve jeito.

É um prazer ver neste “Lopper – Assassinos do Futuro” o reencontro do cinema americano com o que John Carpenter, James Cameron e George Miller faziam nos anos 80. Não eram tão originais, e é certo, abusavam da pirotecnia como agora, mas havia algo mais, um fascínio pelo engenho, pelo prazer do lúdico, pelo faz de conta. Além disso, eram grandes narradores, usavam os mesmos ingredientes de sempre para criar algo de novo, respeitando os códigos ao mesmo tempo que os manipulando e distorcendo.

Looper – Assassinos do Futuro

“Looper” é o passo seguinte dessa desconstrução, um western policial futurista a meio caminho entre o Ray Bradbury do Som do Trovão e o fantástico La Jetée de Chris Marker e da sua reinvenção por Terry Gilliam em 12 Macacos (aliás, nem falta Bruce Willis).
A história acontece entre dois tempos, 2034 e 2074. Em 74 se torna possível viajar para o passado. Poderosas organizações criminosas usam as viagens para “eliminar” quem mais lhes convém. Não só enviam os desafetos de volta trinta anos antes, criam no passado um grupo de assassinos para limpar qualquer vestígio de existência desses desajustados.
Joe (Joseph Gordon-Levitt) é o jovem do passado, que ganha a vida matando literalmente os homens do futuro. Sua vida vai bem até que descobre que o próximo alvo que lhe é atribuído é ele próprio, 30 anos mais velho (papel feito por Bruce Willis).
A isto chamam no filme “fechar o loop”, “fechar o ciclo”. Ou seja, depois de cumprir várias execuções, a missão final de um looper é encontrar a sua versão do futuro e se matar.
O interessante é que o jovem Joe sabe que em trinta anos vai perder tudo e aceita o destino. Já o Joe mais velho não quer obedecer o procedimento. Deste impasse, o filme evolui para uma ação desenfreada, que desorienta até a noção de bem e do mal muito freqüente neste gênero. Chega um ponto em que o herói vira o vilão, depois tem uma criança que parece o Amti-Cristo, depois… bom não vem ao caso. A narrativa é de primeira, a câmera passeia entre os dois tempos, captando o ambiente futurista, cheio de detalhes curiosos, pequenos tiques, objetos e rimas visuais bem compensadas pela montagem dinâmica e fluída.
Por fim, Looper não cede à tentação obsessiva de se auto-explicar. Neste sentido, o filme é quase um anti-A Origem. Não arma esquemas para fazer a platéia entender, nem subestima o espectador. Apresenta as linhas básicas da ideia e a partir daí diverte-se em seguir as regras ou subvertê-las, criando em segundo plano um interessante mundo real.
É uma bela pedida.

James Bond celebra 50 anos e o céu não cai pra ele, como o título inicialmente pode prever. Monossilábico, espirituoso, Bond apanha mas nunca esteve tão na estica. Sofisticado, brutalmente implacável, vestido por Tom Ford.
A comemoração aliás rodeia-se de bons meios de produção e gente ilustre (atrás e à frente das câmaras).
E o resultado?

James Bond


É quase tão empolgante quanto “Cassino Royale”, o filme que colocou a franquia nos eixos, inserindo James Bond no compartimentado e tecnológico século 21. Em “Skyfall”, Bond e o MI6 movem-se num novo mundo, onde a nacionalidade e rosto do inimigo mudaram, bem como na forma de combatê-lo. O herói sente-se um brucutu no meio das gadgets novas, tenta passar por cima da pirralhada que assume o controle, mas é zombado a altura: “Meu velho, de pijama no meu quarto, consigo fazer mais estragos em uma hora, do que você fez como agente em toda sua carreira”, diz o novo e imberbe “Q”.
Enfim, Bond se revela mais humano, frágil e falível e pra aliviar o stress, só lhe resta beber seu drink favorito, pilotar o Aston Martin DB5 – sim, o de “Goldfinger” -, e buscar nos métodos “old school” uma forma de se reinventar.
A entrada do vilão em cena, aliás, empurra o filme para uma maior densidade emocional. Javier Bardem brinca com o papel de vilão e se diverte criando o momento mais homo-erótico da saga. E o diretor Sam Mendes surpreende com os seus dotes para cenas de ação. Se, por um lado, mostra destreza para as cenas de ação (a sequência de abertura, em Istambul, é exemplar neste sentido), não se inibe de grandes momentos de “mise en scéne” (a cena, em Xangai, no edifício “transparente”, num hipnótico festival de luzes, cristal e sombras – a trazer à memória a cena dos espelhos no final de “The Lady from Shanghai”).
E o filme vai mantendo essa energia até que, curiosamente no rolo final Sam Mendes parece tropeçar. Quando Bond percebe que não consegue vencer o vilão no terreno tecnológico, decide atraí-lo para a fazenda Skyfall. Longe da ultrassofisticada rede de informações, o duelo entre o herói e seu arquiinimigo soa coerente, mas a direção de Mendes entra no piloto automático. O clímax é filmado de forma mecânica, sem esmero, sem paixão. Ao estabelecer a ordem da franquia nas cenas finais, Mendes parece se constranger. Deixa tudo arrumadinho para confortar os fãs, mas a inspiração parece abandoná-lo, talvez porque o que verdadeiramente sempre interessou no cinema desse diretor foi a inquietação, o caos do mundo contemporâneo.
É nesse ponto que percebo como durante toda a projeção estava torcendo para o céu cair para o herói. Seria muito mais ousado manter James Bond no terreno da vertigem. Atual e menos artificial. Não foi desta vez. Ouvir a clássica musiquinha da série no final me deixou frustrado, mas para os fãs é reconfortante. Não é mais que isso que eles esperam.

Hamilton Rosa Jr. – Jornalista e Crítico de Cinema, Filmes Nacionais e Estrangeiros, DVDs, Blu-Ray, HD-TV, Entretenimento, Cults, Preview, Estréias, Mostra, Festival.

A aventura em clima cerimonial da transposição de Peter Jackson para O Senhor dos Anéis hoje me faz coçar a cabeça desconfiado. E acho até curioso que não apareceu nenhuma sátira contundente ao excesso de heroísmo e gestos grandiosos dos personagens, porque Jackson levantou respeitosamente a bola, e ninguém cortou como podia (que saudades da turma do Monty Python!).

O Hobbit

Pois agora temos novas chances com “O Hobbit” e elas são maiores.
Se havia um mérito na saga cinematográfica anterior é que se sentia o empenho, a paixão do ou tudo-ou-nada para garantir que finalmente a obra de Tolkien chegasse ao cinema. Aqui, nada disso: fica-nos a dúvida sobre se as considerações artísticas de fazer justiça ao Hobbit chegaram primeiro ou foram as considerações comerciais de assinar outro blockbuster de prestígio (coisa que, há dez anos, estava longe de ser garantida).
A produção é caprichada e bem polida, mas já sabemos onde vamos e procuramos o sentido de diversão, numa narrativa que custa a desenrolar. Estão lá o velho Gandalf (um Ian Mckellen simpático até quando interpreta no piloto automático), o bondoso Bilbo Bolseiro (Martin Freeman se esforçando para garantir o carisma), e treze anões feios sujos e desajeitados, que podiam ser muito engraçados, mas são pouco.
É verdade que o legado de Tolkien permitiria outra dimensão de espetáculo e diversão. E não menos verdade que, em breves momentos (em especial em torno do bizarro Gollum, o “boneco digital” fabricado a partir da composição de Andy Serkis), compreendemos que há, aqui, muitas potencialidades que ficam por explorar. Mas Jackson não consegue ir além. Percorre o caminho sem um rasgo, sem uma surpresa, sem qualquer efeito que marque a diferença.

Se o Django original de Sergio Corbucci parecia um anjo vingador com uma metralhadora giratória em punho e os olhos faiscantes de Franco Nero, o Django de Tarantino não tem nada de anjo, é um ex-escravo truculento (Jamie Fox) com um colt ponto 45 na mão e uma pontaria assombrosa. Adora atirar no baixo ventre dos branquelos. Veste roupas berrantes, óculos escuros e salta pro cavalo como se fosse ver um show do James Brown. Tarantino pouco se lixa para verossimilhanças e menos ainda para manter a tradição do gênero western.

amarras em Django

Seu Velho Oeste é muito particular. Não tem índios em cena. Esses já foram dizimados na época em que acontece a história de Django Livre (1859, dois anos antes da Guerra Civil). Também não tem aquele clima mitológico, mesmo porque ninguém mais tem saco pra aguentar a versão de que os Estados Unidos foram uma nação construída em clima de epopéia. Nem xerife do bem. Tarantino já começa seu filme ridicularizando o homem da estrela no peito. O racista entra no saloon para expulsar o negro que se atreve a beber cerveja onde só é permitido brancos, e morre antes de dizer sua terceira fala. O temível barão de gado (Don Johnson) também se atreve, e Django o espinafra. Nada, aliás, é temível no filme, nem a ku klux kan bota panca. Parecem um bando de patetas, imcompetentes até na hora de fazer os furos nos sacos que cobrem a cabeça. Tem uma cena digna de Monty Python, o bando mal consegue perseguir Django porque não enxerga nada.
Pradarias contemplativas então? Ah, isso ficava bem nos filmes do Sergio Leone, Tarantino se apressa nestas partes.
O Velho Oeste neste Django é feio, sujo e livre. E a ironia: quem conta a história é um alemão pouco confiável. Lembra de Christoph Waltz, o general nazista de Bastardos Inglórios? É uma primazia de Tarantino colocá-lo em cena. É como se Waltz tivesse saltado daquele filme para esse e simplesmente tirado a farda. O alemão captura nossa atenção e nos convida para participar de uma aventura, como se ele fosse Virgilio e nos tivesse conduzido pelos círculos do inferno de Dante.
Waltz exala a simpatia de um diabrete, falando de alta civilização e de lendas germânicas, mas sendo logo desmascarado pelo modo impiedosoa como mata e caça seus alvos. Quando Django vacila em matar um homem na frente do filho pequeno, o alemão lhe fala em negócios e clama para Django largar de frescura e matar logo o cara. Não há pistoleiros em cena, mas sim um desfile de sociopatas um mais imprevisível que o outro.
Tarantino joga na sua coqueteleira todos os elementos do faroeste tradicional, bate com gelo e serve em copos sem açucar. E também sem medo de botar refugos, sem medo de brincar, ou fazer pastiche.
Como o personagem de Jamie Fox, esse Django é realmente um filme livre de amarras. E também um dos mais divertidos do diretor. A habilidade de Tarantino funciona em perfeita sintonia com suas obsessões. Chega a mesclar trilha de western spaghetti, com hip hop e soul music para descobrir melodias que funcionem como contraponto para a ação que rola na tela. E cenas longas e estranhas que pulsam com um potencial de violência de perder o fôlego. A sequência final no lar do senhor de escravos vivido por Leonardo DiCaprio consegue ser ao mesmo tempo engraçada e chocante, pela forma brutal como os personagens derrapam no chão de sangue.
Dizer que o filme é uma ode a vingança contra o racismo, tá evidente na ação. Não é o que verdadeiramente dá prazer em ver nesse Django. Tarantino nunca explora o significado profundo do mundo que mostra, mas sim o de como pode ser amoral e anárquica a vida dentro dele. E então convida o espectador a abrir os olhos pra viajar dentro de suas sangrentas pradarias.

A obsessão com que Kathryn Bigelow detalha a missão de caça a Osama Bin Laden chega a irritar neste A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty). Sua heroína – Maya (Jessica Chastain), a agente da CIA que não descansa enquanto não chega ao “fim da linha” – parece um míssil teleguiado, deixa pelo caminho tudo aquilo que não seja essencial ao seu objetivo: acompanhar o percurso que levou os serviços secretos americanos ao complexo de Abbottabad onde Osama bin Laden se escondia.

Nas mãos de Bigelow


O filme gera a expectativa e ficamos na ponta da poltrona aprensivos e ao mesmo tempo maravilhados com a forma aguda como Bigelow investe no tema e endossa a autenticidade da sua recriação filmando inclusive em locais reais. A diretora, por sinal, se vale da moderna técnica do new journalism para esmiuçar os pormenores da investigação e da captura. Tudo é compilado, detalhado, e a atenção tem que ser redobrada para não perder um lance, afinal os personagens, muitos deles também inspirados em figuras reais, na maioria das vezes dizem uma coisa e fazem outra.
O filme se abre a subtextos , mas eles nunca são esfregados na cara. Maya é fria e agressiva nos seus propósitos, porque num mundo de militares, coração e alma a colocariam em desvantagem. A primeira parte do filme tem sequências duras de tortura e num momento ousado vemos Barack Obama fazendo uma declaração na TV dizendo ser inadmissível a tortura em seu governo. Detalhe: os torturadores americanos da CIA assistem o pronunciamento silenciosos.
Se existe algo que incomoda é a forma como Bigelow a certa altura puxa a sardinha pelos EUA. Quando os americanos começam a exagerar na tortura, ela dá sempre um jeito de encaixar uma cena de atentado para justificar a ação da CIA. Na contabilidade: são quatro cenas de tortura, pra seis de atentados.
O terreno em que Bigelow é bamba é o da ação e quando chega a hora, a moça mostra que não está pra brincadeira. É fascinante como ela se deleita com a logística militar, com a movimentação organizada dos soldados, a formação de ataque dos helicópteros. Depois como alterna planos e ângulos, levando-nos a experimentar a sensação crescente de tensão, tateando quartos escuros apenas com visão de infra-vermelho.
Tatear um perigo que não se vê, eis o grande terror que assombra a superpotência.
Baixada a poeira, corpos ensanguentados no chão. A conclusão já é conhecida e aqui é mostrada com uma secura, que logo na saída me frustrou como espectador. Só depois me dei conta de que a frustração é calculada, provoca angústia, o vazio e ecoa sem solução por todos os lados.

Sei que ando mais sumido que o Fantasminha, mas estou de volta e seja lá o que Odin quiser.

The Boys

E nada melhor para voltar com estilo do que falando da série The Boys, fruto da mente mais insana das HQs: Garth Ennis.

The Boys mostra um mundo onde os heróis são extremamente materialistas e egoístas, pensando somente em dinheiro, drogas, poder e sexo, não importando se para isso pessoas inocentes sejam mortas.

A história gira em torno de um grupo de heróis chamado The Boy, que foi criado pela CIA que tem como missão controlar os outros heróis. E se para isso for necessário matar alguns deles, The Boys tem carta branca para fazer o necessário. A equipe é formada por Billy Açougueiro, Huguie Mijão, Francês, a Mulher e Filhinho da Mamãe.

Garth Ennis já tinha demonstrado um certo “descontentamento” (para não dizer que ele realmente não gosta) com as histórias de heróis com o especial A Prô, de 2002, onde uma prostituta de rua ganha superpoderes e se junta a um grupo de heróis que lembra muito a Liga da Justiça.

Em The Boys, Ennis mostra um mundo onde os heróis não são apresentados como salvadores da humanidade, mas sim pessoas que tem seus próprios ideias e não se importam muito com que os outros pensam. E para enganarem o público, contam com grande equipes de marketing, assessoria de imprensa e relações públicas. Sem contar o apoio de uma empresa, que na verdade está manipulando não só os heróis, mas como também a Casa Branca.

Ele também traça uma linha do tempo mostrando como os heróis estiveram envolvidos em vários momentos chaves da história recente, inclusive no atentado de 11 de Setembro.

A violência, as drogas e o sexo também são retratados nesse mundo como coisas normais.  E por causa desse quadro pintado por Garth Ennis, The Boys quase morreu na edição 6.

Acontece que a série começou a ser publicada pela WildStorm, que é de propriedade da DC Comics. Mas após a sexta edição, a DC resolveu cancelar a série. Mas como o direito dos personagens pertencia a Ennis, ele conseguiu continuar a publicar no selo Dynamite.

The Boys também teve alguns arcos paralelos, sendo o melhor o Herogasm, uma espécie de retiro que todos os heróis fazem para poder transar sem parar. O mais legal é que para poder despistar o público, eles fingem que todos os heróis do mundo vão enfrentar um mega inimigo que pretende destruir o universo (se você pensou em qualquer mega saga tipo Guerras Secretas ou Invasão, você está certo). Infelizmente The Boy chegou ao fim na edição 72.

Para ler The Boys, você tem que aceitar um novo mundo, que foge dos heróis certinhos que existem por aí e entrar de cabeça na insanidade maravilhosa que somente Garth Ennis consegue produzir.

Aqui no Brasil The Boys teve seus três primeiros arcos publicados pela Devir. E se você der um pulo na lojinha do Cruzador vai encontrar a primeira edição por um preço bem batuta!